07/03/2014 às 16h05min - Atualizada em 07/03/2014 às 16h05min

Parceria com a União, Estado já atende 165 municípios com programa de inseminação artificial

Elaine Pinto/ Divisão de Comunicação Social da Fepagro

O secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, assinaram em Porto Alegre, convênio com mais 75 municípios, na terceira etapa do programa Dissemina que prevê melhoria genética em bovinos de corte e leite de propriedades da pecuária familiar.

O projeto piloto, realizado com recursos do MDA, da Seapa e da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), já contemplou 31 municípios. A segunda fase, com recursos do Ministério da Agricultura (Mapa) e do Estado, beneficiou outros 59. O MDA já trabalha para viabilizar a quarta etapa, o que deve ser confirmado na próxima semana, adiantou o ministro.
Para atender a esses novos conveniados, o Ministério do Desenvolvimento Agrário disponibilizou R$ 2,5 milhões, com contrapartida do Governo do Estado de R$496 mil, totalizando investimento de quase R$ 3 milhões.
Vinte milhões de litros de leite por dia em dez anos
O secretário de Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, destacou o papel estratégico do programa para o plano do Estado de fortalecer a bacia leiteira gaúcha e duplicar a produção em dez anos.
“Estamos trabalhando fortemente na valorização e no incremento da produção de leite no Estado, através de três ações: o controle da sanidade dos animais, da qualidade do leite e o melhoramento genético. É nesta terceira ação que o Dissemina desempenha um papel fundamental”, explicou.
Hoje, o RS já produz em torno de 11 milhões de litros por dia. A intenção é, daqui nove anos, chegar a 20 milhões de litros por dia, estima o secretário. “Atualmente o Estado consome quatro milhões de litros/dia. O restante, sete milhões, é vendido a outras regiões do país. Se nesse período, tendo duplicado a produção, o RS estiver consumindo cinco milhões e produzindo 20, sobrarão 15 para ser vendidos a outros estados. Com um produto saneado e com qualidade, poderemos atingir os melhores mercados”.
O ministro Pepe Vargas ressaltou a relevância do programa, construído e estruturado no diálogo entre os governos Federal, Estadual e Municipal. “O Dissemina celebra a parceria entre os três entes federados. Estamos sintonizados com o que a população quer”, destacou.

O diretor-presidente da Fepagro, Danilo Rheinheimer dos Santos, lembrou que a iniciativa só foi possível com a recuperação de duas estruturas do Governo do Estado: a Central Riograndense de Inseminação Artificial (CRIA), que funciona na unidade de Hulha Negra, e a própria Fepagro. Segundo ele, o programa já está colhendo bons resultados. “Os primeiros 30 municípios com os quais conveniamos já estão tendo seus primeiros bezerros geneticamente melhorados”, comemorou.

Prefeituras estimam aumento de produção, renda e diminuição de êxodo rural 
A prefeita de Mato Leitão, Carmen Goerck, conta que seu município possui forte ligação com a cultura do tabaco, e as pequenas propriedades familiares, maioria na cidade, vêm investindo na diversificação. A produção de leite já é a segunda maior atividade agropecuária do município.
“Com o melhoramento genético, poderemos dar um salto qualitativo nessa produção. Temos a previsão de atender, inicialmente, a 100 famílias de pequenos produtores”, detalha a prefeita.
Responsável por 70% da economia municipal, a agricultura é base do município de São Domingos do Sul. Conforme o prefeito Domingos Scartezzini, a produção de leite vem se intensificando no município. “É preciso aumentar a produção e, mais importante ainda, melhorar a qualidade do leite. Mais de 400 famílias serão beneficiadas pelo Dissemina em São Domingos do Sul”.
Em Santo Augusto, outra prefeitura beneficiada na terceira fase, o programa será estratégico para conter o êxodo rural, avalia o prefeito José Luiz Andrighetto. “O Dissemina será muito importante para auxiliar as pequenas propriedades a incrementar a produção de leite e também manter os pequenos agricultores no campo. Hoje apenas 20% da população está na área rural”, explica.

O programa
Coordenado pela Fepagro, vinculada à Secretaria da Agricultura, o Dissemina disponibiliza, em regime de cessão de uso, um automóvel utilitário e um botijão de nitrogênio, doses de sêmen a custo zero, e nitrogênio líquido a preço de custo.
Também prevê curso de qualificação, conduzido pela fundação, para os técnicos responsáveis e os inseminadores dos municípios. Tem por objetivo qualificar, a médio e longo prazo, os rebanhos de corte e leite em propriedades da pecuária familiar que apresentam dificuldades de acesso à assistência técnica. Até agora, os governos Federal e Estadual investiram R$ 7 milhões no programa.

Central Riograndense de Inseminação Artificial
A Fepagro Campanha, em Hulha Negra, reativou a Central Riograndense de Inseminação Artificial (CRIA), sucateada em gestões passadas. Lá, será produzido o sêmen que dará sustentação ao programa. No mesmo local, o Governo do Estado pretende aprofundar a pesquisa em genética, criando a Central de Biotécnicas Reprodutivas (CBR).

 


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