23/01/2011 às 09h58min - Atualizada em 23/01/2011 às 09h58min

Instituto de Laticínios Cândido Tostes investe em nova fábrica

Governo de Minas Gerais

Em 2010, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) deu continuidade às obras de revitalização do núcleo industrial do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), em Juiz de Fora, na Zona da Mata, cuja inauguração está prevista para abril de 2011. Com toda a parte estrutural da reforma completada, o ILCT iniciou a aquisição de novos equipamentos que darão suporte para que a fábrica atinja capacidade máxima de produção, processando cerca de oito mil litros de leite/dia. 

Com recursos de R$ 944 mil, estão sendo adquiridos cerca de 40 itens, entre compressor de ar comprimido, fermenteiras, tachos e tanques de salga de queijo. A verba contempla ainda a manutenção das caldeiras, recuperação da separadora centrífuga, do pasteurizador, dos tanques em aço inox e de demais equipamentos. 

O serviço de instalação do material inox - tubulações e conexões para transportar leite, creme e soro, além de bombas sanitárias e uma unidade de limpeza CIP (clean in place), com sistema auto-limpante - será executado no início de 2011. O laboratório de controle de qualidade, um dos principais setores da fábrica, é um dos contemplados com novos equipamentos e terá condições apropriadas para realizar análises físico-químicas e microbiológicas dos produtos. A previsão é de que até fevereiro todos os equipamentos estejam instalados. 

Com o término da fase de instalação de equipamentos, o prédio, que foi construído para abrigar um presídio e há 75 anos funciona como fábrica de laticínios, passará a contar com espaços adequados para a realização de pesquisas na área de lácteos, fabricação de produtos e manutenção do Curso Técnico em Leite e Derivados, com salas específicas para aulas e três laboratórios de Tecnologia e Desenvolvimento de Produtos. Na primeira etapa da obra, concluída no final de 2008, foi implantada a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), com capacidade para cerca de 50 mil litros de efluentes/dia, que será responsável por tratar todo o esgoto produzido de forma intermitente, atendendo a deliberação normativa do Copam 010/86. 

Investimentos em novos projetos 
No total, desde o início da revitalização do núcleo industrial, em 2008, a Epamig investiu R$ 2,5 milhões nas obras do ILCT, recurso proveniente do PAC/Embrapa e do Governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). As obras de revitalização representam o resgate da tradição da instituição como referência em ensino, pesquisa e difusão de tecnologia em leite e derivados no Brasil e no exterior. 

A Epamig deverá iniciar ainda este mês a obra de transformação do antigo prédio de dormitórios em Centro de Treinamentos. “A ideia é termos instalações adequadas para realização de cursos rápidos destinados a produtores de queijos do Brasil e até de outros países. Essa obra já foi licitada e receberá investimento de R$ 2,1 milhões”, afirma o presidente da Epamig, Baldonedo Arthur Napoleão. 

O projeto prevê sete salas de aula, biblioteca, salas de estudo individual e coletivo, salas de pesquisa (internet) e de reunião, 20 salas para pesquisadores, cantina, secretaria, salas para a Coordenação de Ensino, além de 12 quartos com banheiros privativos para acomodar os alunos de outros municípios. 

Todas as obras estão previstas no Plano Diretor do ILCT, elaborado para o período 2005-2010. Além da revitalização da fábrica, da implantação do Centro de Treinamentos e da construção da ETE, o plano contempla reforma do prédio do setor administrativo do ILCT - tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal; aquisição de quatro veículos novos - um caminhão tanque para transporte de leite, uma van equipada com baú refrigerado, uma van para passageiros e um Fiat Uno; consolidação do Curso Técnico em Leite e Derivados, que funciona ininterruptamente há 75 anos; implantação do curso superior para realização de concurso público para professores de disciplinas complementares; e implantação do Museu Nacional do Leite. 

Segundo Baldonedo, o Museu Nacional do Leite é um dos destaques do processo de revitalização do ILCT. A ideia é criar um museu vivo, com painéis, peças tridimensionais e virtualidade que contém a história do leite no Brasil. Em 2010, a Epamig assinou convênio com a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Fundação L’ Hermitage para cessão de mil m² de área dentro do ILCT para a construção do Museu. Cabe à L’Hermitage, especializada em implantação de museus, elaborar a parte arquitetônica do projeto e, posteriormente, captar recursos para viabilização do projeto. 

Pesquisadores 
O destaque do Centro de Pesquisa em 2010 foi o ingresso de todos os pesquisadores do ILCT em cursos de mestrado e doutorado, o que permitirá que 100% da equipe obtenha titulação até 2012. Dos 17 pesquisadores, cinco são doutores, oito são mestres e, dos quatro bacharéis, todos já estão em fase de mestrado. Em 2011, a previsão é de que a instituição passe a contar com seis doutores, calcula o chefe do Centro de Pesquisa, Luiz Carlos Gonçalves Costa Júnior. Entre os 17 projetos de pesquisa em execução em 2010, 12 estão sob coordenação dos pesquisadores do Instituto. 

O Mestrado Profissional em Ciência e Tecnologia do Leite e Derivados, criado em 2009 por meio de parceria entre Epamig, Universidade Federal de Juiz de Fora e Embrapa, consolidou sua participação na qualificação profissional dos elos da cadeia produtiva do leite e inicia, em 2011, a terceira turma. O curso é proposto em associação ampla e prevê compartilhamento da infraestrutura física das instituições de pesquisa. Com duração de dois anos, o mestrado formou cinco novos mestres em 2010. 

Referência em ensino, pesquisa e difusão de tecnologia 
O ILCT contribui há 75 anos para o crescimento da indústria brasileira de laticínios, desenvolvendo e difundindo tecnologia, capacitando pessoal para o setor e formando técnicos que atuam nos segmentos da cadeia de lácteos por todo o Brasil e em outros países. 

A integração entre ensino, pesquisa e fábrica de laticínios coloca o ILCT como referência para mais de 60 países, difundindo tecnologia na formação de novos técnicos e na produção de 34 tipos de produtos processados, entre queijos finos e convencionais, bebidas fermentadas, doce de leite, manteiga e iogurte.

Foto: Fernando Priamo


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