Editorial - Especialista da Rica Nata integra corpo de jurados no Mundial do Queijo Brasil 2026
Representando a Rica Nata, o pesquisador e especialista em tecnologia de laticínios Marco Antônio Cruvinel de Lemos Couto
Foto Divulgação Mundial do Queijo Brasil 2026
Editorial - Abril de 2026
Participação reforça o compromisso da Rica Nata com a qualidade, a evolução técnica das queijarias e o fortalecimento do setor lácteo brasileiro durante o Mondial du Fromage et des Produits Laitiers – Edição Brasil 2026 realizado em São Paulo. Entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, a cidade de São Paulo foi palco de um dos mais importantes eventos dedicados aos derivados lácteos no mundo: o Mondial du Fromage et des Produits Laitiers – Edição Brasil 2026.
O concurso reuniu produtores, especialistas e jurados nacionais e internacionais para avaliar a qualidade e a diversidade dos queijos produzidos no Brasil e em outros países e forma desta vez 2.700 queijos inscritos e foram 320 jurados para avaliarem, divididos em pouco mais de 100 mesas em média 27 queijos cada mesa. Cada mesa tinha 2 ou 3 jurados. Representando a Rica Nata, o pesquisador e especialista em tecnologia de laticínios Marco Antônio Cruvinel de Lemos Couto participou do evento como jurado convidado, contribuindo com sua experiência técnica na avaliação sensorial e tecnológica dos produtos inscritos.
A presença da Rica Nata no corpo de jurados reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento técnico da cadeia láctea e com a valorização da cultura queijeira brasileira. Nas últimas décadas, o Brasil vive um momento de transformação no setor, marcado pelo fortalecimento da legislação para queijos artesanais, pela profissionalização das queijarias e pela crescente valorização da identidade regional dos produtos.
Nesse contexto, os concursos internacionais têm desempenhado papel fundamental. Além de reconhecer os melhores queijos, funcionam como importantes instrumentos de avaliação técnica, oferecendo aos produtores um retorno qualificado sobre seus produtos e estimulando a busca contínua por qualidade.
Para Marco Couto, participar como jurado é também uma oportunidade de aprendizado e conexão com a realidade do setor. “Cada queijo carrega uma história, uma tradição e muito trabalho envolvido. Estar nesse ambiente é sempre uma experiência enriquecedora”, destaca.
Outro ponto marcante foi a presença de produtores e clientes da Rica Nata entre os participantes do concurso, evidenciando a evolução técnica das queijarias brasileiras e o fortalecimento de um mercado cada vez mais exigente e qualificado.
Entrevista com o Prof. Marco Couto, Diretor Técnico e Administrativo da Empresa Rica Nata, Site Ciência do leite e Cursos de Derivados do Leite. Ciência do Leite: O que representou para você participar como jurado no Mundial do Queijo Brasil? Marco Couto: É uma grande honra e também uma responsabilidade. Ser jurado significa contribuir tecnicamente para avaliar produtos que representam o trabalho e a dedicação de muitos produtores. Além disso, é uma oportunidade de conhecer diferentes estilos de queijo e entender melhor a evolução da nossa produção. Ciência do Leite: Qual o papel dos concursos no desenvolvimento do setor queijeiro? Marco Couto: Os concursos são extremamente importantes porque funcionam como um espelho da qualidade do setor. Eles valorizam o trabalho do produtor, dão visibilidade às queijarias e oferecem uma avaliação técnica que ajuda o produtor a aperfeiçoar ainda mais seus produtos. Estou participando há uns anos de concursos nacionais e internacionais e vejo que os queijos brasileiros estão melhorando, ficando melhor acabado, com padrão. Ciência do Leite: O que mais chamou sua atenção nesta edição do evento? Marco Couto: Um ponto muito positivo foi ver produtores brasileiros cada vez mais preparados tecnicamente. Também foi muito gratificante encontrar clientes da Rica Nata participando do concurso e ganhando ouro e super ouro. Isso mostra que o setor está evoluindo e que estamos construindo juntos um mercado mais forte para os queijos brasileiros. Ciência do Leite: Quais foram os estilos de queijo mais marcantes ou premiados este ano? Marco Couto: Teve queijos vindos da India, que eram diferentes, mas não haviam queijo totalmente diferentes e marcantes assim. Ciência do Leite: Alguma tendência nova apareceu (ex: maturação longa, leite cru, sabores específicos)?
Marco Couto: Acho que a legislação de queijos floridos, que é nova no Brasil, está impulsionando algumas queijarias a produzirem. Ciência do Leite: O que diferencia os queijos brasileiros dos internacionais hoje?
Marco Couto: Os queijos Brasileiros ainda estão evoluindo nos sabores e nas formas, pois somos um povo que gosta de sabores mais suaves. Já os Europeus, por exemplo, são queijos já consolidados e principalmente com sabores mais fortes e marcantes que os nossos. Ciência do Leite: Você percebeu alguma mudança no perfil de consumo ou mercado?
Marco Couto: Sim, com o passar dos anos o brasileiro está gostando de consumir queijos mais maturados, este é a principal percepção que tenho. Ciência do Leite: Como funciona a avaliação dos queijos? Marco Couto: Existe alguns parâmetros a serem seguidos e observados, como formato, característica de cor, de textura, de sabor. Nestes concursos utilizamos principalmente as analises organolépticas. Ciência do Leite: O que mais te surpreendeu no nível dos concorrentes?
Marco Couto: Que estamos melhorando nossos queijos, não somente por causa dos concursos, mas pela assistência técnica que estão recebendo de técnicos especialistas em laticínios, em técnicos do Senar e da Emater, além de outros órgãos e empresas atuantes no setor de consultorias. A Rica Nata com seu curso de queijo há 21 anos também tem parte neste trabalho, pois ela chega a treinar uns 300 alunos em leite e seus derivados. Ciência do Leite: O Brasil está competitivo no cenário internacional? Marco Couto: Sim, eu acho, mas com queijos artesanais ou que tem identidade e “terroir” próprios. Ciência do Leite. Quais regiões brasileiras estão se destacando mais? Marco Couto: Minas gerais sempre apresenta muitos ganhadores, o nordeste está crescendo bastante na produção de lácteos, mas tem o Amazonas que está evoluindo bastante. Ciência do Leite: Qual sua ligação com o Amazonas? Marco Couto: Em 2016, fui chamado para dar um curso de tecnologia de laticínios para os fiscais sanitários do Amazonas. Depois disto fui por 3 anos seguidos dar treinamentos em laticínios daquele estado, ou seja fui um dos desbravadores deste setor no Amazonas. Ciência do Leite: Vale a pena investir nesse mercado hoje? Marco Couto: Sim, o Brasil consome tudo que produz, inclusive somos importadores de leite, nosso mercado esta aberto. Ciência do Leite: Alguma combinação (harmonização) surpreendente que você provou? Marco Couto: Sim. Queijo com cacau em pó. Foi uma grande surpresa experimentar este queijo, com uma fina camada de cacau em pó, uma combinação harmoniosa que me surpreendeu. Ciência do Leite: Como escolher um bom queijo sem ser especialista? Marco Couto: A princípio, pela aparência, que é nossa primeira impressão. Depois você precisa corta-lo para ver internamente. Logo após tire uma pequena fatia deste queijo, cheire ele imediatamente, e por último coloque na boca e sinta seu sabor, sua textura e cremosidade. Este ultimo parâmetro é o mais importante, o queijo deve estar gostoso e não pode deixar um retrogosto marcante, que nunca sai da sua boca. Retrogosto demorado pode ser defeito no queijo. Veja que são parâmetros sensoriais os mais importante da avaliação. Ciência do Leite: Você acha que o Brasil pode virar referência mundial em queijo? Marco Couto: Por ser muito apaixonado possp responder de bate pronto: sim, acho que seremos em breve referência mundial. Eu já falaria que para chegarmos neste status, precisamos de mais maturidade, mais experiencia, e isto só se consegue com o tempo. Como sei que tempo de produção lactea o Brasil tem pouco, não chega a 150 anos, enquanto a europa já tem esta tradição há mais de 2.000 anos. Mas temos tudo para ser um grande pais produtor de queijos excelentes e os queijeiros brasileiros tem habilidade queijeira. Assim, acho que teremos um grande mercado de lácteos, tanto consuimidor quanto produtor ainda. Hoje a europa consume até 20 quilos de queijo por ano, o Brasil não chega a 6 litros direito, portanto temos muito que crescer ainda neste setor. Ciência do Leite. Você acredita que os fabricantes de queijos estão seguindo seus conceitos de ... Valorize seu leite, faça queijo! Marco Couto: Sim, estão seguindo e percebendo que não tem como valorizar seu leite, vendendo para uma indústria/laticínios. Ele sempre será refém da indústria, seja no valor a receber do leite e também em relação ao custo da alimentação do gado, estes aumentos serão sempre do produtor de leite e não de quem tem a industria.
Autoria: Corpo Técnico do Site Ciência do Leite
FONTE: Site Ciência do Leite