16/05/2012 às 10h40min - Atualizada em 16/05/2012 às 10h40min

Mato Grosso do Sul precisa de profissionalismo para alavancar produção do leite

CNA

Nos últimos 15 anos, Mato Grosso do Sul tem ocupado o ultimo lugar no ranking de produção leiteira do Centro-Oeste. “Temos capacidade para alcançar resultados como da pecuária de corte. Precisamos apenas de mais profissionalismo no setor”, apontou o presidente do Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS (Senar/MS), Ademar Silva Junior, na abertura do o 15º Encontro Técnico do Leite, em Campo Grande (MS).

Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Eduardo Riedel, a criação do Conseleite, há dois anos, foi o primeiro passo para transformação do setor. “O diálogo entre indústrias e produtores contribui para o equilibro no atendimento das demandas do setor e no entendimento das necessidades. Somamos hoje 24 mil produtores de leite que buscam o fortalecimento da atividade”, disse Riedel.

Após a abertura, o evento seguiu com palestras sobre qualidade do leite, gestão e estratégias para cadeia produtiva. O evento é direcionado a empresários do segmento, produtores rurais, parceiros comerciais e industriais do ramo, jornalistas, acadêmicos e professores interessados no assunto. O primeiro dia do Encontro contabilizou mil participantes.

Entraves para o mercado brasileiro do leite
“A Argentina e o Uruguai são os problemas da cadeia leiteira do Brasil, vários derivados do leite são importados diariamente desses países, o leite em pó em específico representou grande investimento no início de 2012, cerca de 7 milhões de litros de leite são utilizados para a fabricação do leite em pó que o nosso país chega a importar diariamente, levando em consideração que para cada 10 mil toneladas de leite em pó são utilizados 100 milhões de litros de leite”, informa Roberto Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, durante reunião com integrantes da Casa Rural de Mato Grosso do Sul.

Outro agravante na cadeia leiteira é a queda do consumo. “Desde 2010 o saldo é negativo na balança comercial do mercado de lácteos, e todo o consumo estava crescendo cerca de 4% ao ano, mas em 2012 a queda é visível”, diz Alvim. Em 2011, a Argentina ignorou o acordo firmado com o Brasil que prevê uma exportação equivalente a 3.600 toneladas mensais e exportou uma média 3.769 toneladas de produtos lácteos para o Brasil enquanto que o Uruguai exportou uma média de 2.998 toneladas.

Em 2011, o Brasil chegou a buscar mensalmente uma média de 2.500 toneladas de queijo nos países vizinhos. No mês de março desse ano foram 4.494 litros de leite UHT importados da Argentina. “Essas importações auxiliam negativamente para nossa balança comercial que registra o valor negativo de 189 milhões de dólares durante o primeiro quadrimestre de 2012”, explica Alvim.

“Há cinco anos presenciamos a transformação da matriz econômica de MS que saiu da exclusividade da pecuária de corte e da agricultura de soja e milho para dar espaço ao setor sucroenergético, que hoje conta com 24 usinas no Estado, e ao setor de papel e celulose, que deve alcançar nos próximos quatro anos o equivalente a um milhão de hectares de florestas plantadas”, afirmou Eduardo Riedel, presidente da Famasul. Para o presidente, a pecuária leiteira pode somar a essa diversificação a partir de investimentos na qualidade para ganhar competitividade.

Os números podem ser revertidos, segundo os 40 participantes da reunião da comissão de leite da CNA que entraram em consenso ao afirmarem que a pecuária leiteira é diferente no mundo inteiro, uma vez que é subsidiada em todos os países. 

Encontro Técnico do Leite foi realizado pela Famasul, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS (Senar/MS) e a Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar) e conta com o patrocínio do Sistema OCB/MS, Sebrae/MS, Governo do Estado, Silems, Real H, Suplementar, Fiems/Senai, Tortuga, Heringer, Delaval e Semex, Silozam, Sicredi, Novartis e Rosenbuch.

 


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