12/05/2012 às 10h31min - Atualizada em 12/05/2012 às 10h31min

Cooperativa da reforma agrária vai a APAS 2012 buscando maior participação no mercado de leite

MDA mda-apas

É a segunda maior empresa do município de São Miguel do Oeste (SC) - a primeira é outra cooperativa, a Cooperativa Central Oeste Catarinense, que opera comercialmente com a marca Aurora.

O empreendimento, organizado por 640 familiar assentadas da reforma agrária, é um dos que, com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), vai levar produtos da agricultura familiar para a Feira da Associação Paulista de Supermercados 2012(APAS).

Apresentando produtos com alta qualidade e marca própria, a Cooperoeste vai levar para a Feira da APAS leite em embalagens longa vida nas opções desnatado, semidesnatado e integral, creme de leite pasteurizado e achocolatado pronto para o consumo. A gerente comercial da cooperativa, Cristiane Weder, destaca que a expectativa com o evento é ampliar a participação no mercado paulista. “Já vendemos em algumas partes de São Paulo, mas nossa intenção é ampliar a participação no mercado do estado, que é muito grande. Temos certeza que, dada a qualidade de nossos produtos, não teremos dificuldade”, enfatiza.

Além do leite, compõem a linha de produtos oferecidos pela Cooperoeste, bebidas lácteas com polpa de frutas, achocolatado pronto para o consumo, creme de leite pasteurizado, queijos prato e mussarela, conservas e frango congelado. Quase três mil famílias de Santa Catarina e do Paraná, que comercializam seus produtos pela marca da Cooperativa – Terra Viva -, são assentados da reforma agrária e agricultores familiares que encontraram no empreendedorismo a forma de melhorar de vida.

Para o presidente da cooperativa e assentado da reforma agrária, Celestino Persch, o grande diferencial do empreendimento é o retorno para os produtores. “Para o pequeno produtor, vender para a cooperativa é bem melhor, porque garantimos assistência técnica e veterinária para todos os nossos produtores, além da remuneração por litro de leite que é um pouco maior que a praticada pelo mercado”, destaca.

Persch não esconde a felicidade ao falar da importância da Cooperativa na vida dos assentados da região. “Para nós é uma grande felicidade ver os produtos da reforma agrária chegando nos supermercados e nas mesas dos brasileiros. Nós que viemos da luta pela terra nos emocionamos com essas conquistas, pois provamos que a reforma agrária dá certo”, ressalta.

Os produtos da Cooperoeste, que surgiu em 1985 da articulação entre 14 assentamentos da reforma agrária da região extremo oeste de Santa Catarina, estão presentes em mais de três mil estabelecimentos comerciais de seis estados brasileiros – Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Para o estado do o Paraná, são destinados 46% da produção total, abastecendo 188 municípios. Em Santa Catarina, 163 municípios recebem 30% do que é produzido pela cooperativa, enquanto 76 municípios de São Paulo são abastecidos com 21,5% da produção. O restante é destinado aos estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Novas possibilidades de comercialização 

Além da possibilidade de ampliar o número de pontos de venda em São Paulo, a Cooperoeste também aposta na Rede Brasil Rural (RBR) - plataforma digital criada pelo MDA -, para impulsionar as vendas para a alimentação escolar e outros mercados no país. Os produtos da cooperativa já estão presentes no cardápio de alunos de 50 municípios da região e a expectativa é que, com as possibilidades criadas pela Rede, itens como leite longa vida, creme de leite e achocolatado cheguem a mais escolas brasileiras. “Vamos começar vendendo os produtos que não precisam de refrigeração, queremos aumentar nossa presença na alimentação nas escolas”, afirma Persch.

Apoio para crescer 

Em 2009 a Cooperoeste teve acesso, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), modalidade Agroindústria, a R$ 10 milhões para obras de ampliação em seu parque industrial. Com esse recurso, foi possível ampliar a capacidade de processamento de leite e produtos derivados, atingindo a média atual que fica entre 350 e 400 mil litros pro dia.

O presidente da cooperativa lembra da importância do recurso do Pronaf. “Tivemos a oportunidade de acessar um crédito com uma taxa de juros boa e em condições atrativas. Isso permitiu que a cooperativa investisse na ampliação da produção, o que nos ajudou a crescer e atender mais agricultores e clientes”, explicou.

A modalidade Pronaf Agroindústria voltada para a cadeia do leite, é uma linha de crédito para processamento ou industrialização do produto destinada às cooperativas que tenham 70% de seus cooperados na condição de agricultores familiares. 

Outro critério é que esses produtores representem 55% da produção. Para que as cooperativas com outras finalidades possam acessar o Pronaf Agroindústria, o quadro social deve ter 90% de agricultores familiares associados. As taxas de juros variam de 1 a 2% ao ano, conforme o valor financiado.

 


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