28/12/2011 às 16h54min - Atualizada em 28/12/2011 às 16h54min

Estudo australiano promete leite sustentável e bom para o coração

Dairy Reporter

Pesquisadores australianos disseram que conduziram um novo estudo mostrando que alimentar as vacas com subprodutos da fabricação de vinho reduz drasticamente suas emissões de metano e leva à produção de um leite mais saudável.

O estudo do Centro para Excelência dos Lácteos do Departamento de Indústrias Primárias (DPI) mostrou que as vacas alimentadas com os resíduos das uvas após a fabricação do vinho produziram um leite rico em ácidos graxos benéficos. Os pesquisadores do Centro, localizado no Estado de Victoria, descobriram também que suplementar as vacas com esses resíduos - caule, sementes, peles de uvas de vinho - reduz as emissões de metano em 20%.

O DPI disse que acredita ter alcançado o maior corte nas emissões desse tipo já obtido através do uso de suplementação da alimentação das vacas. O pesquisador, Peter Moate, disse que o uso de resíduos da fabricação de vinho com outros suplementos que reduzem a emissão de metano podem reduzir essas emissões totais em até 20.000 toneladas por ano, o que equivale a ter 200.000 carros a menos nas ruas.

Os pesquisadores suplementaram a dieta das vacas leiteiras com 5 quilos de resíduos da fabricação de vinho desidratados por 37 dias, comparando os resultados - rendimento, composição do leite e emissão de metano - com indicadores fornecidos pela alimentação normal do gado.

"Sabemos agora que a suplementação da dieta de vacas leiteiras com 5 quilos de resíduos desidratados da produção de vinho aumenta os ácidos graxos saudáveis do leite em mais de seis vezes com relação à alimentação padrão de outono".

Moate disse que os ácidos graxos do leite são "extremamente potentes" em sua capacidade de beneficiar a saúde do coração, e "também são conhecidos por ajudar a combater o câncer, a diabetes e a artrite". No entanto, ele disse que parece que somente houve aumento de ácidos graxos saudáveis quando se adicionou esses restos de uva nas dietas de vacas quando o alimento verde não estava disponível. "Entretanto, o uso de restos de uvas como suplemento alimentar parece ser extremamente efetivo para aumentar essas propriedades saudáveis durante a seca ou longos períodos de seca".

As primeiras indicações também mostraram que as vacas alimentadas com resíduos de uvas da fabricação de vinho também produziram leite com maiores níveis de anti-oxidantes, disse Moate, com mais testes sendo feitos para verificar isso.

Ele disse que a indústria de vinho pode também se beneficiar dessa pesquisa, vendendo o que atualmente é um produto residual (200.000 toneladas de restos de uvas são produzidas por ano na Austrália) como uma fonte valiosa de suplementação animal. Entretanto, o movimento desse produto é limitado na Austrália, devido às restrições de quarentena para prevenir a disseminação da filoxera.

O DPI está envolvido em um programa mais amplo de pesquisa que avalia o uso de novos suplementos na alimentação das vacas - grãos fermentadores, farinha de canola prensada a frio, farinha de semente de algodão, farinha de grãos de milho descascados e secos - para cortar as emissões de lácteos.

A indústria de lácteos de Victoria é responsável por 85% da produção de lácteos da Austrália e o valor bruto da produção de leite cru em 2009/10 foi de cerca de A$ 1,96 bilhão (US$ 1,95).

 


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