07/08/2008 às 11h59min - Atualizada em 07/08/2008 às 11h59min

Pecuária: Clínica dispõe de ferramentas informatizadas para controle de qualidade do leite

Governo do Estado de São Paulo

A partir de 2005, o Ministério da Agricultura deverá adotar medida normativa que obrigará todos os setores envolvidos na pecuária leiteira, produtores e indústria, a submeterem seus produtos a análises laboratoriais. 

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, já existe um laboratório com tecnologia suficiente para analisar o produto e todos os seus componentes. A Clínica do Leite, que atualmente realiza cerca de 40 mil análises por mês, possui um banco de dados com informações sobre a qualidade do leite de todo o Estado de São Paulo e das regiões do Triângulo Mineiro e Sul de Minas Gerais. 

De acordo com o professor Paulo Fernando Machado, do Departamento de Zootecnia da Esalq e coordenador da Clínica do Leite, a medida do ministério vai incentivar a manutenção da qualidade. "O controle servirá para formarmos uma base sólida para uma pecuária leiteira de sucesso no país, como acontece com a soja e com a suinocultura, por exemplo", diz. O professor informa que o Brasil chegou a exportar leite este ano para alguns países do Oriente Médio e África. "Se quisermos exportar para mercados mais exigentes teremos de melhorar a qualidade", recomenda. 

Há mais de seis anos, a Clínica do Leite realiza análises do produto nos seguintes aspectos: na Contagem de Células Somáticas (CCS), onde avalia a sanidade das glândulas mamárias dos animais e determina a qualidade do leite; concentração de gordura, proteína, lactose e sólidos totais, em que são identificados problemas nutricionais dos animais, o balanceamento da dieta e a qualidade nutricional do leite; e na determinação da concentração de nitrogênio uréico no leite (Uréia), onde são identificados problemas nutricionais dos animais. 

Banco informatizado 

A Clínica do Leite mantém um serviço de banco de dados informatizado com informações sobre a qualidade do leite. Por meio de softwares e ferramentas especialmente desenvolvidas, são produzidas tabelas específicas com os resultados obtidos. As análises sã o feitas junto a produtores e indústrias de beneficiamento do produto. "Há mais de um ano atuamos junto às indústrias do Estado avaliando a qualidade do leite, principalmente quanto à higiene", conta Machado. 

Com relação ao leite considerado "anormal", o professor informa que a Clínica reúne dados sobre a incidência das anormalidades e em quais regiões elas ocorrem com maior freqüência. Machado destaca, entre outras linhas de pesquisa do Laboratório, a redução do uso de antibióticos. "Para tanto, estamos desenvolvendo um kit para identificar o tipo de infecção e se realmente há a necessidade de se tratar o animal com antibióticos", explica. "De acordo com a literatura, 70% das doenças dos animais não precisam ser tratadas com antibióticos", informa o professor. Para abastecer o banco de dados com as análises, as indústrias fornecem amostras semanalmente. "Já os produtores enviam suas amostras, em média, uma vez por mês", conta Machado. Segundo ele, a co leta pode ser feita de um conjunto de vacas ou individualizado, o que permitirá identificar possíveis deficiências em cada um dos animais. 

No Brasil, além da Clínica do Leite da Esalq, outros seis laboratórios estarão aptos a realizar análises do leite em todo o País: em Curitiba, na Universidade Federal do Paraná; no Rio Grande do Sul, na Universidade de Passo Fundo; em Minas Gerias, na Embrapa de Juiz de Fora e na Universidade Federal de Minas Gerais; na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia; e em Recife, na Universidade Federal de Pernambuco. Fonte: Governo do Estado de S.Paulo 

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