11/08/2010 às 13h32min - Atualizada em 11/08/2010 às 13h32min

Vacas produzem mais e melhor em ambientes adequados

Ter controle sobre as condições ambientais, principalmente em países de clima tropical, tem sido um desafio, já que as exigências térmicas dos animais variam de acordo com seu estágio de desenvolvimento. Um bezerro, por exemplo, precisa de clima mais quente, ao passo que uma vaca requer um ambiente com temperatura mais fresca para produzir melhor. Conforto é a palavra-chave, independentemente da fase de desenvolvimento dos animais, e descobrir como o ambiente interfere na produção de leite é relativamente simples. O quadro mais evidente ocorre quando uma instalação quente, sem ventilação, exige que as vacas utilizem a energia que reverteriam para a produção para a transpiração, perdendo calor e, conseqüentemente, o equilíbrio térmico do corpo.  

O problema é, então, reduzir o calor. Segundo Iran José Oliveira da Silva, professor do Departamento de Engenharia Rural da Esalq-Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba-SP, é muito mais fácil e econômico aquecer do que refrigerar o ambiente. "A refrigeração exige determinados mecanismos, naturais e artificiais, que significam investimentos nem sempre viáveis, já que dependem da escala de produção". Em outros países, com temperaturas mais amenas e uniformes, o nível tecnológico nessa área vem avançando cada vez mais. Daí ter surgido a zootecnia de precisão (precision animal production), termo intimamente relacionado a engenharia e manejos de sistemas produtivos. "O uso da tecnologia é tão grande que se fala em automação dos sistemas de controle, em mapeamento térmico do ambiente, entre outros procedimentos", comenta Silva.  

No Brasil, devido às diferenças climáticas de cada região, diz que é preciso avaliar os sistemas existentes e os problemas oriundos de tecnologia importada, sem adaptação às condições locais. "Não há um pacote que possa ser usado em todos os países, nem em todo o território nacional, pois devem ser considerados parâmetros, assim como raça dos animais, fase de desenvolvimento, nível tecnológico, nível de produção, características climáticas e de relevo das regiões, sistemas e instalações já existentes, entre outros", diz o professor, criticando o comportamento de muitos produtores que, além de adquirirem tais "pacotes", começam a recorrer a soluções somente na época mais crítica do ano.   

Assim, o investimento em medidas de longo prazo é necessário para que haja retorno. "Os problemas devem ser antecipados. Normalmente, de setembro a novembro, o clima fica mais seco; em janeiro e fevereiro, mais quente. Os produtores devem pensar em controlar o ambiente como medida preventiva, ou seja, a partir março ou abril", recomenda Silva, destacando que, em áreas como Mato Grosso e região Nordeste, o controle é necessário durante todo o ano, embora o calor se acentue no verão.  

A bovinocultura leiteira, entre as várias áreas que têm à disposição avançadas tecnologias de zootecnia de precisão, é, na opinião do professor, uma das que mais resistências oferecem à implantação de sistemas de controle e automação. "Um dos principais motivos são os grandes investimentos", avalia. Mas não é só este o problema. De acordo com suas informações, não há como controlar o clima sem analisar o contexto da produção. "É preciso avaliar as condições de criação, o manejo, os objetivos, a produção em si para, depois, pensar em reforma de instalações preexistentes ou em novos projetos", diz, reforçando o alerta com relação aos pacotes, que exigem mudanças de layout e de materiais de construção, além de condicionamento e controle do ambiente. Para que as mudanças sejam viáveis, é no nível de produção que os produtores devem pensar. Mas também não podem deixar para segundo plano as condições sanitárias e nutricionais do rebanho.

Do natural ao artificial: os sistemas de controle

Isolamento térmico e ventilação são os principais mecanismos de climatização de instalações para bovinos de leite. Eles servem para diminuir a radiação solar incidente e o calor gerado pelos animais, principais fontes de calor nas edificações, segundo Silva. O controle eficiente do ambiente, mais em função das más concepção(ões) e adequação(ões) do que da adversidade climática, emprega sistemas naturais e artificiais de controle.

O sistema de controle natural envolve, em primeiro lugar, arborização em toda a área de produção, visando à redução da carga térmica ou radiação. A conseqüência desta medida é, de acordo com Silva, redução da temperatura interna e melhora da evapotranspiração do clima do entorno da produção. A arborização deve ser adequadamente projetada de forma a não impedir a ventilação natural da região. Pesquisas apontam que algumas espécies interceptam mais a radiação, sendo recomendadas árvores que apresentem folhas delgadas, que não caduquem no verão e que tenham crescimento rápido.

Mas nem todas as espécies servem a todas as criações. No sistema de confinamento - o mais empregado na bovinocultura leiteira -, elas devem servir ao sombreamento do telhado e à redução da temperatura interna das instalações. As mais recomendadas, segundo o professor, são uva japonesa, acácia naja, sanção do campo e grevilhas, entre os galpões. "Além da arborização, deve-se quebrar o mito de que as instalações devem ter paredes. Os espaços devem ser abertos, vedados com cortinas no inverno, recolhidas novamente no verão. Este é o princípio básico da ventilação, que pode ser natural ou forçada", salienta.

Na natural, devem ser considerados vários aspectos, além da arborização: altura do pé direito (3,5 a quatro metros); orientação das instalações (a ideal é leste-oeste), conhecimento prévio sobre ventos predominantes na região; e número de estruturas nos telhados (o menor possível). Conhecer o comportamento do fluxo de ar da região é essencial para garantir o conforto térmico, que varia conforme as flutuações do ambiente.

Os dados sobre ventilação natural ainda são questionáveis, na opinião de Silva. "Sendo oriunda de dois fatores - ação do vento e diferença de temperatura (efeito chaminé) -, estudos apontam que, quando a ventilação externa aumenta, a taxa por ação do vento cresce linearmente, enquanto o efeito chaminé decresce. A ventilação total aumenta vagarosamente pela ação do vento, em situações com predominância (ou igualdade) desse efeito. Mas quando a direção do vento sofre desvio em relação à orientação da estrutura, a eficiência de sua ação decresce, melhorando o efeito chaminé. Este predomina em velocidades menores que 0,5 metro por segundo, e a ação do vento, quando superior a três metros por segundo", calcula, salientando que a velocidade máxima de vento perto dos animais confinados não deve ultrapassar 0,2 metro por segundo. Ao falar sobre ventilação forçada (ou mecânica), o professor diz que os ventiladores comuns, além de não serem projetados por pessoal especializado em controle de ambiente, não surtem o efeito desejado. "Há outros princípios que devem ser considerados: potência, movimentação, volume de ar na instalação, velocidade mínima do ar para o animal em função da fase de desenvolvimento", descreve.

Silva cita, ainda, outro mecanismo natural para redução de temperatura em sistemas de confinamento, referindo-se aos telhados. Segundo suas informações, cerca de 70% da carga térmica incidente são interceptados por eles. "Assim, uma das formas de melhorar a interceptação é a utilização de materiais com boa inércia térmica, melhores isolantes, como as tintas reflexivas (brancas)", recomenda. A pintura dos telhados com tinta branca reduz a temperatura interna das instalações em aproximadamente 2ºC. Existem também, comercialmente, tintas térmicas, mas estas devem ser testadas para tal finalidade. "A pintura pode ser feita tanto com cal quanto com látex branco. O efeito acaba sendo o mesmo, com a diferença da manutenção - a cada quatro ou cinco meses para o primeiro e uma vez por ano para o segundo material -", revela.

Entre os materiais de cobertura de telhados existentes no mercado, o professor afirma que o melhor ainda é a telha de barro, embora telhas-sanduíche, com isopor, de poliuretano expandido possam ser utilizadas. "Os dados sobre sua aplicação, porém, são inconsistentes, uma vez que as pesquisas devem ser direcionadas para ambientes totalmente abertos e para produção animal", analisa.

Quanto aos mecanismos artificiais, Silva explica que estes se referem, basicamente, a sistemas de resfriamento adiabático evaporativo (SRAE), ou seja, sistemas mecânicos para redução da temperatura do ambiente com a utilização de vapor d’água como elemento de refrigeração. "O SRAE pode ser aplicado em diversos mecanismos: nebulização, microaspersão e aspersão nos telhados", esclarece, informando que, em instalações para animais, consegue-se diminuição de 6ºC na temperatura interna (em climas secos), adotando um desses mecanismos. Há um problema, porém, relacionado a regiões com alta umidade relativa. Nestas, o acionamento do sistema deve ser descontínuo, pois a excessiva umidade também prejudica os animais.Resolvido este problema, opta-se por um dos sistemas, todos com determinadas restrições. A nebulização, recomendada para o interior das instalações, deve ser instalada a uma altura razoável (aproximadamente três metros), próxima ao tirante da tesoura, de forma que a névoa produzida não chegue a atingir as vacas. "O objetivo é o vapor produzido roubar o calor do ambiente, dificultando o umedecimento de camas, dorso dos animais, entre outros locais", explica Silva, salientando que maiores eficiências são encontradas em nebulização com alta pressão, em que o tamanho das gotículas é reduzido, favorecendo a evaporação ("não é chuveiro").

Este sistema reduz a temperatura interna em cerca de 6ºC, tendo maior eficiência quando associado a ventilação forçada. No entanto, os bicos nebulizadores não devem ser presos aos ventiladores. O correto é instalar linhas de nebulização e ventilação separadamente, promovendo maior movimentação do ar e, conseqüentemente, homogeneização das condições do ambiente interno. O professor destaca que há necessidade de dimensionamento para cada tipo de instalação, calculando-se tamanho e número de bicos, número de linhas, entre outros parâmetros. A instalação aleatória pode causar aumento da umidade relativa, prejudicando os animais.

Bons resultados também têm sido encontrados com nebulização com água a baixa temperatura - em torno de seis a 8ºC abaixo da ambiente -. Pouco utilizado ainda, o sistema exige refrigeração prévia, sendo necessária a instalação de um dispositivo de resfriamento (motor de geladeira em caixa d’água). E a aspersão em telhados também tem efeito significativo, segundo Silva, mas quando utilizada sem a pintura. A necessidade de um sistema coletor de água e um circuito fechado para reciclá-la acabam por tornar o sistema pouco vantajoso na relação custo/benefício, devido aos grandes gastos com água (agora cobrada) e energia elétrica. Ventilação e nebulização em estábulos, aspersão e nebulização em salas de espera e aspersão (desta vez como um "chuveiro") na pós-ordenha são outras medidas em desenvolvimento na ambiência para gado leiteiro, de acordo com as informações do professor.

Ele informa que, na aspersão, o tamanho das gotículas deve promover o umedecimento dos pelos dos animais e que o raio de ação dos aspersores deve atingir 180º, com distância de 2,5 metros entre si. "Na Flórida, os sistemas são delineados para borrifar água por 30 a 120 segundos a intervalos de 15 minutos, combinados a ventilação, empregando-se equipamentos com capacidade de 35 metros cúbicos por minuto, em funcionamento contínuo a velocidades entre 120 e 180 metros por minuto, e posicionados entre três e quatro metros do solo, com inclinação de 20 a 30º para facilitar a circulação de ar no dorso das vacas. O sistema é automaticamente ligado quando a temperatura atinge valores acima de 27ºC", explica, acrescentando que o gasto diário de água por animal fica entre 115 e 190 litros.

Benefícios diretos às vacas e à produção de leite  

De acordo com as informações de Silva, as melhorias nas instalações promovem maiores eficiência alimentar e crescimento, e melhores produção e controle de enfermidades e parasitas. Em termos de produção, o professor revela animadores dados de pesquisa: combinando sombreamento e fornecimento de concentrados - 3,5 kg por cabeça ao dia - na Argentina (veja box), durante os meses mais quentes - médias de 25 a 31,3ºC e 72% de umidade relativa -, os resultados foram bastante positivos.  

"As variações diárias da temperatura retal e da taxa respiratória foram superiores para as vacas que não tinham acesso ao abrigo. E a média da produção de leite dos tratamentos com sombra foi 1,9 kg superior às médias das produções obtidas entre os tratamentos sem sombra. Ou seja, o aumento médio da produção chegou a 13% nos tratamentos com acesso dos animais à sombra", divulga.  

As diferenças entre os diversos sistemas mostram-se claramente na produção média diária de quilos de leite. Utilizando ventilação natural, uma vaca produz 26,1 kg por dia, apresentando 11% de redução da produção inicial (durante um mês de observação); com ventilação forçada, 27 kg de leite, com 9% de redução; empregando-se ventilação e aspersão, 28,2 kg, com 8% de redução; e, com a utilização de resfriamento da água de nebulização, 31,3 kg de leite, com apenas 3,7% de redução.  

O consumo de alimentos também varia em ambientes resfriados. Um estudo norte-americano, de acordo com as informações do professor, demonstrou que o consumo de alimento aumentou, em média, 8% em animais resfriados; a produção de leite cresceu até 15%; e a temperatura retal caiu cerca de um grau centígrado.  

Silva comenta que resultados positivos estão sendo obtidos em diversos países. No México, vacas holandesas e pardas suíças, submetidas a aspersão durante uma hora, à sombra, produziram 7% a mais de leite do que os animais não-aspergidos. No meio-oeste norte-americano, vacas holandesas aspergidas das 11 às 17h30, à sombra, em dias com temperatura do ar acima de 27ºC, produziram 700 gramas a mais de leite por dia. Na Austrália subtropical, vacas holandesas de alta produção, confinadas e com livre acesso a sombra e forragem, alimentadas com concentrado (9 kg por vaca ao dia) e aspergidas com água em dias com temperaturas excedendo 26ºC, produziram 4,8 kg por dia a mais de leite do que as não-aspergidas.

É necessário conhecer a região e a produção para controlar o ambiente  

Para ajustar-se às condições ideais para produção de leite, o criador deverá considerar os aspectos do ambiente no macro e no microssistema. Consideram-se macro as condições da região externa ao sistema de exploração, como características do clima da região, relevo, nível econômico e tecnológico, tipo de exploração, tamanho do plantel, entre outros. No microssistema, estão incluídos aspectos técnicos de exploração, características do rebanho, sistemas de manejo de animais e equipamentos, manejo e controle sanitário, nutrição e ambiência interna. "O ajuste, porém, será o somatório de medidas visando a maximizar os aspectos técnicos envolvidos nesses dois sistemas, na tentativa de manter viável a qualidade e a economia da exploração leiteira", reforça Silva.  

Os procedimentos mais comuns a serem adotados com relação a manejo e clima resumem-se, inicialmente, na observação e na quantificação do problema. "Existe um desconhecimento muito grande por parte dos produtores, no que se refere às condições ideais de exploração e às condições reais da propriedade. Muitas vezes, em épocas quentes, o produtor percebe as perdas, mas não sabe qual a temperatura do ambiente que ocasionou o problema", alerta o professor. Segundo ele, existe a necessidade de haver pelo menos um controle de temperatura e umidade relativa na propriedade para que diagnósticos térmicos possam ser elaborados e analisados, associando as características de comportamento dos animais. De posse desses dados, várias medidas podem ser usadas de forma a minimizar os efeitos do calor sobre a produção. 

Particularmente com relação à característica dos rebanhos, com a introdução de raças especificamente leiteiras, o professor destaca que, no Brasil, a adaptação das raças ao clima tropical tem-se ajustado com medidas diretas de controle da radiação e sistemas de resfriamento: "Raças holandesas, Jersey, Pardo-Suíço têm problemas de adaptação ao calor, mas, com alguns cuidados e prevenções, pode-se chegar a resultados satisfatórios de produção. O que tem mudado são os conceitos de produção e de bem-estar animal, que assumem papel importante no ciclo produtivo".

O papel da alimentação em ambientes controlados  

As vacas são muito mais suscetíveis ao estresse calórico do que o ser humano, apresentando quedas em consumo de alimentos - especialmente volumosos, que produzem mais calor ao serem fermentados no rúmen -, produção de leite e locomoção. O simples fato de estarem de boca aberta e salivando intensamente já indica que isso está acontecendo e que prejuízos serão certos. Ambientes controlados, porém, evitar o calor excessivo e o manejo da alimentação colabora bastante para a manutenção - ou até crescimento - da produção.  

O maior pré-requisito para obter o desempenho adequado é manter o consumo de matéria seca. Considera-se que cada quilo de matéria seca ingerido representa de dois a 2,5 kg de leite. Como o consumo chega a cair 15 a 20% durante períodos de estresse calórico intenso, se a temperatura permanecer acima de 30ºC por mais de seis horas, a produção de leite poderá ser reduzida em 4,1 kg/dia no caso de um animal que esteja produzindo 27,2 kg de leite diariamente.  

O manejo da alimentação, aliado ao balanceamento da dieta, é uma boa saída. Nutricionalmente, a água é o elemento mais importante para vacas sob estresse térmico, sendo, também, uma das principais formas de remoção de calor. Segundo estatísticas, para cada litro de leite produzido, o animal precisa beber aproximadamente quatro litros de água. Assim, o acesso a água fresca deve ser direto, a menos de 15 metros do local de alimentação e, de preferência, à sombra. A recomendação é um mínimo de 9 cm de bebedouro por vaca. Este deve ser raso, fácil de limpar, com rápida reposição e bordas finas, facilitando o acesso. Para garantir a qualidade da água, o ideal é recorrer a análises de frações mineral e microbiológica. 

O volumoso é outro ponto importante na nutrição, já que produção de calor é maior em dietas com altas dosagens de forragens do que naquelas altas em concentrado. Como, voluntariamente, as vacas consomem menos volumosos, também acabam diminuindo a produção de saliva e seus tamponantes. Para resolver este problema, recomenda-se adicionar 0,75% de bicarbonato de sódio na dieta (em matéria seca).  

Destaque deve ser dado a forragens de qualidade (cana-de-açúcar corrigida com proteína e minerais, silagem de capim-elefante colhido aos 60 dias de crescimento vegetativo no máximo, silagem de milho e de sorgo, e fenos) com menor teor de fibras. Estas produzem menos calor de fermentação, mas, mesmo assim, deve-se dar atenção ao nível mínimo de fibras. Para manter a ruminação em nível adequado, é preciso garantir o fornecimento de 20% de FDA (fibra em detergente ácido) na matéria seca da dieta. O tamanho das partículas da forragem também é importante, devendo ficar entre três e quatro centímetros (em pelo menos 15 a 20% do total de material consumido). Subprodutos fibrosos de alta qualidade - resíduo de cervejaria, polpa cítrica e casca de soja - podem, ainda, auxiliar na manutenção do consumo de matéria seca e da produção de leite.  

Se o consumo de matéria seca cai com o estresse térmico, nada mais lógico que aumentar a concentração nutricional da dieta. Dados demonstram que a elevação da densidade energética através do uso de fontes de gordura pode gerar aumentos na produção de leite - entre 1,5 e 2,5 kg por vaca ao dia -. Entre as fontes sugeridas, encontra-se caroço de algodão ou soja grão, até o nível de 5% de extrato etéreo na matéria seca, ou até 2,5 - 3,0 kg por vaca ao dia (um ou outro). Em rebanhos com produção elevada, a sugestão é adicionar fontes comerciais de gordura, desde que esta seja inerte no rúmen ou protegida. Os sabões de cálcio com ácidos graxos de cadeia longa devem ser usados em dosagens de até 0,7 kg diário por vaca. Nas dietas apresentadas, deve-se tomar cuidado para a porcentagem total de gordura não ultrapassar seis a 7% da matéria seca total. Com relação aos minerais, as recomendações são mais específicas. O aumento da evaporação através da pele, por exemplo, eleva as exigências em potássio (1,5 a 1,8% da matéria seca em situação de estresse térmico contra o recomendado 0,9 a 1,2%. Aumentando o potássio, automaticamente deve elevar-se o teor de magnésio para 0,35%. O sódio, perdido em demasia através da urina, deve ser elevado para 0,4 a 0,5% (a recomendação em períodos sem estresse térmico é 0,18%). Neste caso, bicarbonato ou cloreto de sódio podem auxiliar, embora o primeiro aumente a gordura do leite.  

Outros minerais que entram na dieta têm suas restrições. Sabe-se, por exemplo, que altos teores de cloro e enxofre podem ser prejudiciais para vacas em lactação em épocas de estresse térmico. Por outro lado, culturas de leveduras, niacina e monensina sódica são indicadas, devendo-se, porém, analisar a viabilidade de uso caso a caso. O importante é o produtor lembrar que não haverá economia se as vacas não estiverem confortáveis ou se o manejo da alimentação for deficiente. 

LEGENDAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Free-stall arborizado é uma das medidas para diminuir os efeitos da radiação solar
  • Iran J. O. Silva diz que conforto é a palavra-chave na ambiência
  • Galpões sem paredes melhoram a ventilação
  • Cortinas laterais vedam a instalação durante o inverno, sendo retiradas no verão
  • Linhas de nebulização diminuem a temperatura do microssistema
  • Combinação de nebulização e ventilação forçada exige planejamento
  • Potência e velocidade dos ventiladores devem ser adequadas à instalação
  • Sombra e ar fresco: é disso que as vacas precisam para produzir mais e melhor




Autor: Revista Balde Branco

Referências bibliográficas: 

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