06/07/2011 às 09h59min - Atualizada em 06/07/2011 às 09h59min

Aumenta a importação de lácteos no Brasil

Correio do Povo

O déficit de 188,5 milhões de dólares na balança comercial dos lácteos nos primeiros cinco meses deste ano acendeu o sinal amarelo no setor. Impulsionada pelo câmbio favorável, a importação de leite e derivados cresceu 99% na comparação com o mesmo período de 2010. Isso é quase o negativo de todo o ano passado, de 190 milhões de dólares. 

Além do câmbio, a Argentina e o Uruguai estão escoando parte da produção excedente, fruto do incremento de produtividade que chega a 20%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ingressaram no país 226,2 milhões de dólares. Já as exportações caíram 30,7% para 37,7 milhões de dólares.

Segundo o presidente da ABLV, Laercio Barbosa, a permanecer essa tendência, os reflexos serão fortemente sentidos a partir de setembro, quando o preço ao produtor pode cair até 30%. Hoje, de acordo com o Cepea, o valor é de R$ 0,79/litro no país. Barbosa enfatiza que o segmento é muito sensível e qualquer instabilidade gera retrocesso. "Se o produtor desanimar e mandar seu animal para abate, a retomada será difícil", prevê.

Com o quadro adverso, o setor pressiona o governo federal a renovar o acordo de importação com Argentina, que limita o ingresso no Brasil a 3 mil t/mês, e vence em 31 de julho. Os empresários também querem a extensão desta medida ao Uruguai. "Em 2011, devemos registrar o maior saldo negativo dos últimos 10 anos, superando 300 milhões de dólares", diz Barbosa. Ele acrescenta que as indústrias terão que se readaptar e reduzir custos.

De acordo com o presidente da Associação Gaúcha dos Laticinistas (AGL), Ernesto Krug, as empresas já estão trabalhando com prejuízo, pois, para piorar a situação, o custo de produção também aumentou em cerca de 10% devido à elevação dos preços de commodities. Krug critica a falta de controle da União sobre os produtos oriundos do Mercosul. O presidente da Fetag e vice-presidente do Conseleite, Elton Weber, concorda: falta pulso firme no monitoramento das cotas do acordo bilateral. "Se há controle, não é suficiente." Em reuniões com Conab e Ministério da Agricultura, Weber sugeriu a aquisição de leite por parte do governo. "O produto poderia ser destinado às escolas públicas."


 


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