Em março deste ano, enquanto o treinador Carlo Ancelotti trabalhava para escalar o time perfeito para a Copa do Mundo, os alunos do Instituto de Laticínio Cândido Tostes, em Juiz de Fora, também se movimentavam para garantir o título — só que com o “jeitinho mineiro” de torcer. Isto mesmo: em busca do hexa, os estudantes bolaram um “Queijo da Copa”, com as cores da bandeira do Brasil. O produto foi pensado durante uma disciplina do curso de Tecnologia de Laticínios e será apresentado na Expolac do Minas Láctea, nos dias 14, 15 e 16 de julho, quando o queijo também estará acabando de ser maturado. Apenas três dias depois, é a final do mundial. “Os alunos estão com a expectativa do Brasil ganhar os jogos, e vão ficar muito felizes se o time for pra final, porque vamos, se Deus quiser, comemorar o hexa e partir o queijo na mesma época”, diz Denise Sobral, professora responsável pela disciplina.
Com sabor de maracujá e pesto, camadas do queijo ‘harmonizam’ - A escolha por fazer um queijo inspirado na Seleção veio a partir da ideia dos alunos, pelo ano da Copa ter coincidido com o Minas Láctea, que acontece a cada dois anos, e um dos desafios propostos pela formação no ILCT ser elaborar um queijo durante o período das aulas. O queijo em questão leva as cores verde, amarela e azul, mas tem diferenciais para além disso. “Nos preocupamos em usar corantes naturais, o que o torna um queijo saudável. Também pensamos em não ser um queijo só colorido, mas que tenha sabores diferenciados em cada camada”, explica. Os alunos então decidiram pelo sabor de maracujá, na camada amarela, e de pesto, na camada verde. A camada azul e branca (como a faixa da bandeira) contam com sabores neutros. A proposta, de acordo com a professora, é fazer com que o sabor possa ser degustado em conjunto, em uma só fatia, mas experimentado de maneira separada, para quem quer sentir o gosto de cada uma das “cores”. Por isso, foi colocado para maturação o queijo que segue as cores da bandeira, mas também formas que seguem a receita de cada uma das camadas. O diferencial, na percepção dela, é mesmo a harmonização que criaram entre sabores pouco encontrados no mercado e que se unem à torcida de uma grande paixão nacional. “Quando provamos todas as camadas, tudo se harmoniza e cria um sabor muito diferenciado”, diz.
Esse tipo de atividade, como destaca a professora, é bastante produtiva para a formação dos alunos, porque também atende a uma demanda que percebe ser do próprio mercado. “Os alunos já estão na segunda disciplina de queijo, e já estão um pouco mais avançados no curso. Eles conseguem combinar mais sabores e entender mais a técnica. Hoje, vivemos uma tendência no mundo de queijos mais autorais, e esses queijos vêm fazendo a diferença no mercado. A gente estimula porque essas ideias podem dar muito certo no futuro”, diz. Para quem deseja experimentar, o produto ainda não está à venda, mas ela não descarta a ideia no futuro, ao ver como o novo “jogador” vai se sair em campo. “Se der certo e as pessoas gostarem, vamos pensar nisso”. O que mais importa, no momento, é a torcida e a experiência, mas a professora reforça o convite para o público experimentar o produto durante a Expolac, que também reunirá outras diversas opções de laticínios para degustação, servindo como oportunidade para que os visitantes conheçam a variedade da produção local.
Autora: Elizabetta Mazocoli
Fonte: Tribuna de Minas