25/10/2010 às 10h00min - Atualizada em 25/10/2010 às 10h00min

Fábrica da Danone em Portugal é destaque na produção de iogurtes

Portal do Agronegócio

É assim a fábrica da Danone de Castelo Branco, em Portugal, ampliada este ano e considerada uma das cinco melhores do grupo. Incontáveis ramos metálicos, por cima e por baixo do chão, ligam misteriosamente a cisterna aos reservatórios onde o leite será testado, estabilizado, pasteurizado e desnatado. Controlada por computador, esta versão ‘light’ será a base dos 90 produtos que, dias depois, sairão, embalados, do outro extremo do edifício: iogurtes líquidos e sólidos, de sabores vários, com aditivos ou não, com ou sem nata, fermentados dentro ou fora da embalagem; ou leites fermentados, nome dado ao resultado da adição de quaisquer bactérias além das duas que, juntas, dão origem a iogurte.

Entre os equipamentos - de entrada do leite e de saída do produto final - é pouca a intervenção humana. São 120 trabalhadores na fábrica, que transformam entre 130 e 140 milhões de litros de leite em 60 mil toneladas de iogurte e leite fermentado, por ano. Um décimo desse total acabará em lojas espanholas; o resto, em particular os iogurtes líquidos (uma preferência particular do gosto lusitano) vão para a fronteira.

O consumo tem aumentado de forma expressiva e ainda tem espaço para crescer, acredita Bruno Fromage, presidente da Danone Portugal. A Lactogal, a maior empresa de lacticínios do país e a associação do setor concordam. Pedro Pimentel, secretário geral da ANIL, diz que “ há cada vez maior preocupação com a saúde” para justificar a certeza de que o “mercado continuará a crescer”.

“A saúde constitui o ADN do nosso negócio”, considera Bruno Fromage. Na Lactogal, “os magros e os funcionais já pesam mais de 20%” no seu negócio de iogurtes, adiantou Maria João Godinho, gestora da categoria de iogurtes da empresa. Em pauta estão produtos sem lactose ou com adição de cálcio, por exemplo.

Mais volume e menos valor

Produtos como estes, de maior valor acrescentado, passam agora tempos mais complicados, trazidos pela crise econômica. A quantidade de iogurte vendido até subiu, mas não o valor. “O mercado cresce cerca de 7% em volume e encontra-se estagnado em valor”, diz Bruno Fromage. Ou seja, os consumidores estão comendo e bebendo tanto iogurte como antes, mas escolhem os mais simples e os mais baratos. Como os de marca branca: quatro em cada dez iogurtes vendidos são da marca das grandes superfícies que, todas juntas, são líderes de mercado, estima Pedro Pimentel.

Contudo, as vendas voltarão a crescer, acreditam as empresas. Essa expectativa justificou a expansão da fábrica de Castelo Branco da Danone. Para um leigo, só o enorme tamanho dos reservatórios onde o iogurte é fermentado deixa clara a quantidade de produto lá fabricado. Isto para os iogurtes líquidos ou para os sólidos batidos.

Há uma terceira etapa, que só é percebida perto do fim da fábrica: a dos sólidos fermentados já dentro da embalagem. A maquinaria mistura tudo: o leite-base, os aromas, as bactérias... É lá, aliás, que o visitante vê, de fato, algum leite. Depois, a linha de montagem fecha a embalagem, cola o papel onde se diz de que iogurte se trata, agrupa numa embalagem de quatro e leva até à estufa a 40º C, onde se dá a fermentação. O resultado é um iogurte com a consistência de um pudim, bem diferente do batido, fermentado antes de ser injetado na embalagem.

O destino final é, depois, o mesmo: o frio, que quase suspende a fermentação e que justifica a recomendação de todos os fabricantes: deve ser consumido dentro do prazo de validade, para manter as características de sabor e textura “prometidas” pelo vendedor.

 


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