08/08/2010 às 07h51min - Atualizada em 08/08/2010 às 07h51min

Projeto Leite Eficiente rende R$ 1,5 milhão por mês no Sertão paraibano

Agência Sebrae de Notícias

Contrariando o previsível no setor leiteiro brasileiro - sua instabilidade econômica -, o projeto Fazenda Eficiente tem base na sustentabilidade ecológica e está dando certo no Sertão paraibano. Os números se mantêm animadores desde 2003, quando o Sebrae Paraíba instalou o projeto com algumas criações bovinas leiteiras. A atividade injeta R$ 1,5 milhão mensal na cidade de Sousa, onde o projeto foi instalado.

O apoio à atividade leiteira é importante para os sertanejos. Com 2016 produtores de leite de vaca somente na região de Sousa (2009), são contabilizados 75 mil litros/dia. Por R$ 0,70 o litro, essa superprodução gera quase R$ 19 milhões ao ano, segundo o gestor do projeto Fazenda Eficiente, Lhano Osawa. Junto com parcerias, o Sebrae Paraíba atende 100 produtores com capacitação e tecnologia avançada na produção leiteira.

Alguns bovinocultores chegam a tirar R$ 12 mil líquidos com pequenas criações que reutilizam, para se alimentar, o mesmo espaço no pastejo rotativo durante anos, segundo o gestor Lhano Osawa. Mas o município de Sousa ainda mostra potencial inovador ao unir, por exemplo, a indústria leiteira ao turismo. Assim pensou o empreendedor Thiago Guedes, do Laticínio Isis, ao criar o bistrô Isis em pleno Sertão.

Como membro da cadeia leiteira de Sousa, ele também conseguiu desenvolver um produto líder de vendas no mercado local. Concorrendo com um produto nacional, ele desenvolveu a bebida Bífidus, derivado que faz o mesmo efeito do leite fermentado. “Já vendemos tanto quanto o concorrente nacional”, diz Thiago.

Rotativo
Logo no primeiro experimento da Fazenda Eficiente, na Chácara Linhares, em 2003, os técnicos do Sebrae descobriram que o negócio leiteiro seria bom. O projeto ecologicamente eficaz está em sete hectares, três deles de pastejo rotativo. Isso evita a utilização de grandes terrenos na alimentação do gado, ou seja, não há necessidade de grandes desmatamentos.

Nesse tipo de pastejo, os animais são soltos em pedaços demarcados para se alimentarem. À medida que essas áreas repletas de capim se esgotam, as outras subsequentes estão prontas para serem usadas em fila. Assim, em três hectares, é possível ter um pasto no mesmo tamanho de terreno e infinitamente reutilizável. Na Chácara, outro terreno de 1.200 hectares está sendo preparado para o pastejo.

"É o melhor sistema que existe para criação bovina. Não desmata e o trabalho com o gado diminui", conclui o produtor. No mesmo ano que se tornou produtor Eficiente, Thiago começou a procurar gado de melhor genética, seguindo a orientação.

Pioneira
O proprietário da Chácara, Nalvino Linhares, possuía apenas oito cabeças de gado da raça holandesa que produziam 27 litros de leite/dia numa pequena área de sete hectares. Atualmente, ele é o maior produtor de leite da região, com 60 vacas em lactação, produzindo 1.360 litros de leite/dia, que geram cerca de R$ 23.800 por mês. A tendência é de crescimento, já que ele tem 222 fêmeas e dois reprodutores. 

Na Chácara Linhares há quatro anos, o tratador de animais Francisco de Assis da Silva trabalhava com o antigo sistema de criação bovina. Acha mais leve e rápida a retirada do leite. "Antes, eu e dois tratadores ordenhávamos 68 vacas em três horas. Hoje, dois fazem o mesmo trabalho em uma hora com a ordenha mecânica. Além das vacas ficarem mais sadias, o leite é mais aproveitado", explica.

Rentável
A Fazenda Eficiente também aumenta a produtividade de quem não conseguia rendimentos. Na Fazenda Manoel, em Pombal, Francisco Figueredo tinha 10 hectares com uma tímida produção de 10 litros de leite/dia de 14 vacas. Vivia disso, mas estava ficando preocupado quando resolveu ser Eficiente. Logo nos primeiros anos, ele conseguiu rentabilidade, pagou as dívidas e chegou a fazer 130 litros de leite/dia. “Minha meta é alcançar 300 litros/dia até o final do ano”, projeta.

Perspectivas
Há a previsão de mais 20 proprietários se unirem ao projeto ainda este ano, se tornando Fazendas Eficientes. Das 15 cidades atendidas, Cajazeiras, Aparecida, Bonito de Santa Fé, Pombal, Paulista, São Bento e Sousa se destacam. Campina Grande, no Agreste, também se prepara para entrar no sistema de desenvolvimento ainda este ano.


 


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