24/08/2018 às 18h02min - Atualizada em 24/08/2018 às 18h02min

Leite sobe 44% no campo neste ano e deve pressionar ainda mais a inflação

Preço do leite - Os consumidores já vinham sentindo no bolso o preço do leite. A situação, porém, poderá ficar ainda pior. O produto atingiu um valor recorde para os meses de julho e teve alta real de 14% no campo, em relação a junho. A alta já atinge 44% no ano.

Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A explosão dos preços ocorre por causa da soma de vários fatores: paralisação dos caminhoneiros, pastagens ruins e queda nos estoques das indústrias.
 

Com a greve, e sem coleta, os produtores se desfizeram do leite, desfalcando o abastecimento das indústrias. Para repor estoques, elas disputaram a produção de junho, pagando mais caro. Para complicar ainda mais, em algumas regiões, como o Sul, a ausência de chuva retardou a melhora das pastagens, afirma Juliana Santos, analista de leite do Cepea.
 

Se a oferta for limitada também em agosto, a pressão nos preços vai continuar. Santos diz que clima adverso e encarecimento dos grãos podem impedir mudança de tendência do mercado. Uma nova alta no leite no campo —seria a sétima consecutiva— pressionaria ainda mais a inflação, pesando no bolso do consumidor.

O preço médio do produto longa vida, o mais usado pela população, já subiu 57% neste ano na cidade de São Paulo, de acordo com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
 

A analista do Cepea diz que é importante ficar de olho nos preços do leite “spot”, o produto que é negociado entre as indústrias. Na primeira quinzena de julho, o preço teve alta de 28% em Minas Gerais, apontando forte demanda. Na segunda, porém, houve queda de 7%. O preço do leite pago ao produtor, em julho, foi de R$ 1,4781 por litro nos sete estados pesquisados pelo Cepea. Esse é um valor médio líquido para o produto entregue em junho às indústrias.


Fonte: Folha de São Paulo

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