22/08/2008 às 16h12min - Atualizada em 22/08/2008 às 16h12min

Pesquisadores mostram avanços genéticos nos rebanhos leiteiros

Jornal de Uberaba

Os avanços genéticos em animais produtores de leite dominaram, ontem, o último dia de discussões do 7º Congresso Brasileiro das Raças Zebuínas, que acontece em Uberaba. O público conferiu os principais programas de melhoramento genético existentes nas raças gir, guzerá e sindi. Uma das perguntas colocadas para o público formado por criadores e pesquisadores da área genética, pela professora e pesquisadora da APTA, Lenira Zadra, foi "Onde estamos e para onde vamos?", em relação ao melhoramento. 

Responsável pelas avaliações genéticas do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas de Aptidão Leiteira, ela apresentou o que vem sendo feito para se chegar a animais de alto valor genético para a produção de leite. "A cada ano aumenta o número de fazendas participantes e vacas avaliadas demonstrando que o interesse de criadores por animais avaliados vem crescendo", diz Lenira. Em 2008, as avaliações foram feitas com base em mais de 11 mil lactações.

Para garantir avanços nessa área, será preciso aumentar a qualidade dos dados coletados nas fazendas e inserir novas características nas avaliações. É necessário ainda o controle leiteiro das matrizes desde a primeira lactação. Outras ações a serem adotadas são: avaliações para determinar o temperamento das fêmeas (se são nervosas ou calmas), pois isso está relacionado ao estresse e ao bem-estar; facilidade de ordenha; informações sobre a ocorrência ou não de mastite (doença que pode afetar as vacas).

Os avanços genéticos da raça gir, uma das mais procuradas por criadores estrangeiros para produção de leite, foram apresentados durante a segunda palestra do dia, ministrada pelo pesquisador da Embrapa Gado de Leite Rui Verneque. Ele explicou como é feita a seleção de animais no Programa de Melhoramento Genético do Gir Leiteiro. Uma das ferramentas de avaliação do programa é a genética molecular. Ela permite a seleção assistida por marcadores moleculares e torna o processo mais eficiente. Dos touros avaliados, 2890 tiveram DNA extraído. Já existe um estudo associando 31 marcadores moleculares para o aumento e melhoria da produção de leite.

Em relação às dificuldades para o avanço nas pesquisas está o fato do Brasil inseminar um número reduzido de vacas e a pequena quantidade de produtores com rebanhos participantes do controle leiteiro.
Outra raça de aptidão leiteira, mas que também está voltada para a produção de carne, a guzerá, teve os dados apresentados pela vice-presidente do Centro Brasileiro de Melhoramento Genético do Guzerá, Vânia Maldini Penna. Ela encerrou a série de palestras abordando o Programa de Melhoramento Genético da Raça Guzerá. Uma das raças mais antigas do mundo, a guzerá, tinha poucos trabalhos na área genética até início da década de 90. "Na época, eram escassos os dados de produção de leite e o passo inicial foi incentivar a execução de controle leiteiro oficial. Diversos criatórios se engajaram, então, na aferição oficial de todas as suas fêmeas. Iniciaram-se, também, as buscas por animais com algum potencial leiteiro nos rebanhos tradicionais de corte, aquisição e subseqüente aferição de sua produção", diz Vânia. Entre os zebuínos, a raça é a única que contém sumário de touros que traz avaliações do mesmo animal tanto para produção de carne quanto para a de leite.

"O êxito dos programas de melhoramento para características leiteiras, com as de corte e reprodução e a versatilidade e rusticidade da raça vêm garantindo-lhe mercado no país e no exterior. Além de importante recurso genético como raça pura, o guzerá tem se tornado uma importante opção nos cruzamentos para produção de mestiços leiteiros", concluiu a pesquisadora.


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