09/04/2012 às 09h43min - Atualizada em 09/04/2012 às 09h43min

Governo federal investiga cartel no leite gaúcho

Correio do Povo

O Ministério da Justiça (MJ) abriu processo administrativo para investigar indícios da prática de cartel e preços predatórios na indústria de leite gaúcha. 

A denúncia de que haveria acordo para a venda de leite tipo C abaixo do custo na região Sul do Estado, entre novembro de 2003 e janeiro de 2004, envolve a Elegê (atual BRF), a Cooperativa Sul-Rio Grandense de Laticínios (Cosulati), a Cooperativa dos Pequenos Agricultores e Produtores de Leite da Região Sul (Coopal), a Indústria de Laticínios Santa Silvana, a Thurmer & Leitzke e o Sindilat. Os acusados terão 30 dias para apresentar suas defesas. Até então, as investigações eram conduzidas pela Polícia Federal de Pelotas.

Segundo nota emitida pela Secretaria de Direito Econômico do MJ, há indícios de que eram realizadas reuniões para acerto de valores. Os encontros ocorreriam na sede da Cosulati, em Pelotas, e no próprio Sindilat, na Capital.

Ex-presidente da Coopal, Dario Neutzling, confirmou que a cooperativa chegou a participar de reuniões em que eram feitos acordos de valores abaixo do preço de custo. Contudo, como a cooperativa estava iniciando, não tinha condições de aderir. "A gente era agricultor e estava começando. Ia em tudo que era reunião por curiosidade. Nem sabia se era certo ou errado."

Surpreso, o secretário executivo do Sindilat, Darlan Palharini, alegou desconhecer o teor do processo. Mas disse que é normal haver encontros entre associados e lembrou que, desde dezembro de 2007, o Conseleite faz projeções de preços. Secretário executivo do Sindilat na época, Jones Raguzoni ressaltou que as reuniões tinham como objetivo apenas fortalecer a cadeia produtiva. "Cada empresa possui sua dinâmica de custos. O mercado é muito grande para sustentar esse tipo de coisa", pontuou. Já o superintendente da Cosulati, Raul Amaral, que assumiu a função em 2009, afirmou que o clima é de tranquilidade, pois os laudos da Polícia Federal indicaram diferença significativa entre os preços praticados na época.

Diretor de Planejamento e Política Leiteira da Elegê no período, o atual presidente da Associação Gaúcha dos Laticinistas, Ernesto Krug, nega ter conhecimento da prática. "Na área do leite, não tem cartel." Representantes da BRF, Santa Silvana e Thurmer & Leitzke não foram localizados para comentar a decisão.


 


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