05/08/2008 às 14h24min - Atualizada em 05/08/2008 às 14h24min

Febre Aftosa

Introdução

A febre aftosa (FA) é uma enfermidade infecciosa e altamente contagiosa caracterizada por formar vesículas e aftas na mucosa oral (língua e gengivas), nas patas (localização interdigital) e no úbere. Foi descrita pela primeira vez na Itália em 1546, e no século XIX a doença já se encontrava presente em vários países da Europa, Ásia, África e América. Com o avanço da pecuária muito de fez para controlar e prevenir a doença e atualmente ela está presente de forma endêmica em algumas regiões da Ásia, África, América do Sul e Oriente Médio, onde ocorrem surtos até a presente data.

É uma zoonose de distribuição mundial e apresenta elevada importância econômica, pois afeta negativamente produtores e famílias rurais diminuindo a produção, a produtividade e a rentabilidade da pecuária, seja ela leiteira ou de corte. O prejuízo ocorre também de forma indireta através dos embargos econômicos realizados pelos países importadores de produtos de origem animal.

E em um país como o Brasil que atualmente possuí o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, é o maior exportador mundial de carne, é o sexto maior país produtor de leite e terceiro maior mercado de produção de suínos, as perdas decorrentes de surtos de FA são enormes.

Além dos grandes prejuízos econômicos a FA causa ainda problemas sanitários e sociais, já que é uma zoonose e reduz a disponibilidade de alimentos protéicos para a população.

Agente causador

É causada por um vírus pertencente à família Picornaviridae (gênero Aphtovirus), acomete naturalmente animais biungulados domésticos (bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e suínos) e selvagens (cervídeos, camelídeos e búfalos selvagens).

Já foram identificados 7 sorotipos diferentes: O, A, C, SAT 1, SAT 2, SAT 3 e Ásia 1; no Brasil só foram isolados os três primeiros. Esses sorotipos são antigênica e imunogenicamente diferentes e apresentam uma grande variedade de subtipos e cepas. O vírus é bastante resistente no meio ambiente, sobrevivendo até um mês em material orgânico (fezes, sangue) em condições de alta umidade e baixa incidência de luz solar. Porém é bastante sensível em pH ácido (<6,0) e alcalino (>9,0), a desinfetantes químicos (Carbonato de cálcio 4%, formol 10% e hidróxido de sódio 2%) e a meios físicos como calor, radiação ultravioleta e ionização por raios gama.

Fontes de infecção e formas de transmissão

Os animais doentes constituem as principais fontes de infecção para animais sadios. As lesões da FA aparecem 72 horas após a penetração do vírus no organismo do animal. Nessa fase o vírus já atingiu a corrente sanguínea e encontra-se presente em todas as secreções e excreções do indivíduo (fluido das vesículas, saliva, sêmen, fezes, urina e leite), que irão contaminar todo o ambiente onde vivem esses animais. Outras fontes importantes são os animais com infecção persistente e/ou portadores.

A transmissão da doença ocorre principalmente a partir da inalação do vírus presente no ambiente e em instrumentos contaminados, ou ainda a partir do contato direto com secreções e excreções de animais doentes e/ou portadores.

A disseminação da FA acontece de diferentes formas: pelo ar, o vírus pode ser carreado a uma distância de até 65 km do local do foco; através de pessoas e veículos que podem levar o vírus nas roupas, calçados e pneus; através de outras espécies de animais (cães, gatos, roedores, aves e animais silvestres), que transitam livremente entre as fazendas; e através do transporte de animais doentes e de produtos de origem animal contaminados.

Os produtos derivados de animais infectados como carne in natura com gânglios, órgãos, medula óssea, sangue, leite e subprodutos podem estar contaminados, representando uma fonte de infecção para animais susceptíveis e também para o homem. Apesar do vírus ser eliminado através de tratamentos térmicos desses produtos, o processo normal de abate e desossa não assegura a ausência completa de gânglios, coágulos sanguíneos e fragmentos ósseos, locais onde o vírus persiste mesmo após o tratamento térmico, justificando assim o embargo das importações.

A Febre Aftosa com zoonose

Apesar de a FA ser considerada uma zoonose, raramente o homem se infecta e adoece, pois é um hospedeiro acidental e apresenta grande resistência ao vírus. Os casos de FA em humanos estão geralmente associados a exposição massiva ao vírus ou a queda de imunidade da pessoa.

A infecção do humano ocorre pelo contato direto com o animal doente ou materiais biológicos contaminados. O vírus pode penetrar no indivíduo através das mucosas (ex. ocular e oral) ou através de pequenas feridas na pele. O homem também adquire a doença pela ingestão de leite não pasteurizado. A transmissão através do consumo de carne não foi comprovada.

A doença no homem apresenta caráter benigno. Na fase inicial observa-se febre, dor de cabeça e falta de apetite. Em uma segunda fase ocorre a formação de vesículas no local de penetração do vírus, que após generaliza formando vesículas e aftas secundária na boca, mãos e pés. Caso não haja nenhuma complicação, como por exemplo, uma infecção bacteriana secundária, a pessoa melhora com cerca de duas semanas.

Também não foi comprovada a transmissão da doença de uma pessoa para outra. No entanto, a pessoa doente se torna uma potencial fonte de infecção para os animais sadios e susceptíveis a doença.

Controle e prevenção da Febre Aftosa

O controle da FA é feito a partir de programas sanitários que são baseados principalmente na vacinação em massa da população bovina e rigoroso controle do trânsito de animais e de produtos de origem animal, principalmente aqueles provenientes de países que possuem a doença.

Em casos de surtos deve-se, rapidamente, tomar medidas sanitárias presentes na Portaria Nº 121, de 29 de março de 1993, onde são estabelecidas as normas para o combate à Febre Aftosa. Dentre essas medidas estão:

- Notificação imediata para o Escritório Internacional de Epizotia (OIE);
- Interdição do estabelecimento onde foi detectada a doença, ficando proibida a saída ou entrada, para quaisquer fins, de animais susceptíveis, bem como de produtos de origem animal ou materiais que constituam risco de difusão da doença;
- Sacrifício dos animais doentes e contatos, dando destino adequado a carcaça, excretas e restos de animais;
- Desinfecção de ambiente e veículos
- Revacinação, quando necessária, de bovinos e bubalinos presentes na região perifocal;
- Entre outras.

Hoje, ano de 2005, estamos vivenciando todos os problemas anteriormente descritos, causados pelo surto ocorrido no estado do Mato Grosso do Sul. No entanto, de acordo com os critérios epidemiológicos internacionalmente aceitos, o ?status? sanitário da região não mudará se certas medidas sanitárias forem tomadas. E enquanto se discute para saber se a doença veio do Paraguai, se faltou verba por parte do governo ou se a vacina não funcionou, sofremos embargos econômicos de importantes importadores como a Rússia, por exemplo, causando grandes prejuízos para o setor. 
 


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »