02/12/2010 às 13h25min - Atualizada em 02/12/2010 às 13h25min

Dirigentes do agronegócio analisam momento do setor

Famasul

“O setor (do agronegócio) está consciente de que é essencial para o País e o governo também está consciente de que precisa contar com o setor”. A afirmação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RS (Farsul) e vice-presidente executivo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto e resume, segundo o dirigente, o posicionamento do segmento em relação ao momento atual brasileiro.

Sperotto participou do Encontro de Dirigentes do Sistema CNA/Senar que aconteceu de 25 a 28 de novembro, em Bonito (MS), e reuniu os presidentes de federações estaduais e superintendentes do Senar de todo o Brasil. “A importância do setor independe de qualquer governo”, acentuou. 

Para o presidente da Farsul, o cenário internacional está “altamente propício ao agronegócio brasileiro” a partir da preocupação mundial pelo aumento da produção de alimentos. “Ao Brasil compete a função de assumir essa tarefa”, disse, referindo-se ao aumento na oferta de grãos e carne.

Apesar da perspectiva otimista, o agronegócio se fortalece para reivindicar soluções para gargalos que comprometem sua competitividade. Entre os pontos mais preocupantes está o grau de endividamento dos produtores. 

Segundo Sperotto, uma das prioridades é a busca de mecanismos para minimizar o passivo que vem se acumulando ao longo dos últimos anos na forma de soluções via Congresso Nacional e Mapa. Entre as reivindicações está a criação de um sistema de seguro eficiente para o meio rural. “Agricultura e pecuária são atividades de risco e o seguro que existe não atende às necessidades mínimas dos produtores”, afirmou.

Outra dificuldade na pauta do produtor rural brasileiro é a insegurança relacionada ao direito de propriedade e a busca pela atenuação da ocupação fundiária. “Fico estarrecido com a permissividade do Judiciário e com as justificativas para a criação de tantas reservas indígenas. Tanta área para tão pouca gente”, considerou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo, Júlio Rocha Jr, também presente no encontro da CNA.

Para o dirigente, “falta estratégia e sobra ideologia” quando o assunto é produção agropecuária. “Se não formos atrapalhados, o Brasil tem condições de atender às necessidades de demanda de alimentos”, acentuou. 

Na avaliação de Rocha Jr, um dos problemas agudos do setor está na falta de renda para investimentos, o que gera entre outros passivos o sucateamento dos equipamentos agrícolas. O caminho, indica, passa pela definição de políticas públicas para sanar problemas como a falta de linhas de crédito, logística de transporte e de armazenagem, treinamento de mão-de-obra e banda larga no interior.

Na avaliação de Rocha Jr., dos gargalos acima, um dos que mais repercutem na atividade agropecuária é a logística de transporte, fator que interfere diretamente no preço do produto que chega até o consumidor. “Contraditoriamente, o transporte em hidrovias e ferrovias que é mais barato, é o menos utilizado no País. A opção mais disponível é o rodoviário, justamente o mais caro”, lamentou.

 


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