18/11/2020 às 09h11min - Atualizada em 18/11/2020 às 09h11min

Camembert - Um mito culinário no país das delícias

Luiza Carvalhaes Albuquerque
Queijo Camembert - Queijo francês, fabricado com leite de vaca. Tem massa cremosa, casca branca aveludada, sabor levemente picante e textura suave. Os queijos são pulverizados externamente com Penicillium Candidum. Após uma semana começa a aparecer uma fina camada de mofo branco. Os queijos então são virados para que o mofo cresça homogêneo por toda a superfície. O primeiro Camembert foi feito por Marie Harel em 1791, expandindo-se por toda a França e daí para o mundo.
Um pouco da sua origem

Ao contrário do que se imagina, o mito Camembert não se deve apenas ao labor francês, mas a um americano que, numa tarde de 1926, bateu à porta de Auguste Gavin, vice-prefeito da pequena Vimoutiers, na Normandia. Apesar da dificuldade com o idioma, o estrangeiro conseguiu perguntar ao petrificado político sobre os horários de trem para a cidade de Camembert. Chamava-se Joseph Knirim e tinha atravessado o Atlântico para homenagear a inventora do queijo, que supunha enterrada no vilarejo do mesmo nome.
Knirim sacou do bolso um papel, escrito em francês, e deu-o ao seu interlocutor. “Anos atrás, eu sofria de terríveis crises de indigestão”, dizia o texto. “O único alimento que meu estômago suportava era o Camembert. Desde então, passei a cantar os méritos deste queijo. Hoje, ele é consumido por milhares de pessoas regularmente. Eu mesmo consumo uma ou duas vezes por dia. Em humilde testemunha de minha grande admiração e da de milhares de amigos nos Estados Unidos pelo queijo camembert, deposito esta coroa de flores sobre o monumento de nossa benfeitora. Que possam as bandeiras da França e dos Estados Unidos se unir para sempre a serviço da humanidade.” Passado o susto, Gavin confessou sua ignorância quanto ao local onde estaria enterrada Marie Harel, a queijeira procurada pelo americano. Nem ele nem ninguém jamais tinha se interessado em desvendar tal história, menos ainda prestar homenagem à personagem.
A cidade foi mobilizada. Voluntários se encarregaram de visitar o cemitério de Camembert, que na época contava com apenas 300 habitantes, enquanto outros vasculhavam arquivos em busca de algum vestígio capaz de evitar que a viagem do bem-intencionado americano se transformasse numa grande decepção. Para alívio geral, Marie Harel foi encontrada. Não em Camembert, mas no cemitério do vilarejo vizinho, Champosoult. Junto ao seu nome, es-tavam as datas 8/04/1781–14/05/1855. Missão cumprida, Knirim preparou-se para partir. Mas antes, entregou uma nota de 20 dólares a Gavin, para que ele organizasse uma coleta de fundos que permitisse a construção de uma estátua para Marie Harel.

O tempo foi passando e muitos tipos de queijo ganharam fama. Conta a história que Napoleão, em uma de suas viagens através do país, foi servido de uma nova variedade, saborosa e apetitosa, de queijo macio em uma estalagem. Tão encantado estava ele com o sabor do delicado manjar, que perguntou por seu nome. Após ser informado de que o queijo era um produto local, sem um nome particular, Napoleão disse que ele deveria ser chamado Camembert, em homenagem à Vila de Camembert, onde ele fora primeiramente fabricado. A fama desse fino queijo espalhou-se rapidamente e tornou-se um tipo de queijo conhecido em todo o mundo. Mais tarde, um monumento foi erguido em honra de Madame Marie Harel. A estátua ainda hoje permanece na praça do mercado da conservadora vila Normanda do velho mundo.

Fonte: Queijos no Mundo. Volume I. Luiza Carvalhaes de Albuquerque.

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