09/01/2019 às 09h07min - Atualizada em 09/01/2019 às 09h07min

RETROSPECTIVA 2018

Marco Antonio Crivinel L. Couto
RETROSPECTIVA 2018

Como é de praxe, em janeiro, publicamos o que aconteceu no ano que passou, ou seja 2018. Os elementos que aparecem quase sempre são os mesmos, podemos citar, safra, entre safra, importação de lácteos, produtores mais antigos e ineficientes saindo da atividade e sempre tem uma crisezinha politica e ou financeira no meio do caminho. Porém, no final de maio tivemos um elemento surpresa, que foi a greve dos caminhoneiros.

Por mais que saibamos e esteja pre definida, a safra do leite que vai de novembro a fevereiro, sempre irá pegar alguém de “surpresa”. Digo surpresa porque parece que a entre safra só ocorre naquele ano, e não todo ano. Aí é a hora que a maioria dos produtores reclamam dos preços. Mas isto não acontece todo ano, no mesmo período?

 

As quedas no preço para o produtor nos últimos meses repercutiram em menores investimentos na atividade, o que deverá refletir em incrementos menores na produção nacional em dezembro. O pico de produção está previsto para dezembro de 2018 no Brasil central e região Sudeste. A maior oferta de leite cru prevista neste final de ano tende a pressionar as cotações em todos os elos da cadeia. Com relação à demanda, com as festas de fim de ano, espera-se uma maior movimentação nos mercados de creme de leite, manteiga, queijos e leite condensado. No entanto, a demanda por leite fluido sazonalmente é menor neste período.


Outro ponto de muita tensão é a importação de leite em pó. Enquanto não tivermos um governo comprometido com a cadeia do leite, teremos sempre este fator para desanimar mais ainda a produção do leite, pois na hora que os preços começam a melhorar, o governo deixa entrar leite importado e subsidiado pelos países de origem, ou seja, de forma predatória. O leite em pó importado vem causando estragos aos produtores.

A atividade de tirar leite esta cada vez mais profissionalizada. Estamos caminhando a passos largos para a profissionalização do campo. A meta é tirar leite barato, com qualidade, em grandes volumes e o mais mecanizado possível. Este é o caminho que devemos tomar. E este ano de 2018 foi mais um para confirmar esta forte tendência mundial.

 

O Programa Mais Leite Saudável foi implementado em 19 estados, com mais de 37 mil produtores atendidos e, aproximadamente, R$ 130 milhões de crédito tributário aplicados em projetos para o fortalecimento da cadeia do leite. Houve também aprimoramento de acordos birregionais com a União Europeia para a proteção de marcas nacionais de denominação de origem. A Indicação Geográfica passou a valer para produtos de pequenas cadeias, como o queijo artesanal.  

Foi publicada ontem a Lei 13.680/18, que cria selo estadual para permitir a comercialização em todo o País de produtos artesanais com origem animal tendo como um dos principais objetivos a fabricação de queijos. O texto teve origem no Projeto de Lei 3859/15, aprovado na Câmara em março. Pela regra anterior, produtos artesanais com origem animal só podiam ser comercializados fora do estado em que foram produzidos caso tivessem o selo do Serviço de Inspeção Federal, que pode levar cerca de dois anos para ser emitido pelo Ministério da Agricultura. Pela nova lei, os produtos passam a ser identificados em todo o País a partir de selos com a inscrição “Arte”, que serão concedidos pelos órgãos de saúde pública em cada estado. Por se tratarem de pequenos e médios produtores, as exigências de registro serão adequadas às dimensões de cada empreendimento, e os procedimentos deverão ser simplificados. Já a inspeção e fiscalização terão natureza prioritariamente orientadoras, com critério de dupla visita para a lavratura dos autos de infração.

A surpresa do ano ficou por conta de uma greve que se estendeu por 9 ou 10 dias, mas que deu uma peneirada enorme nos produtores que já queriam parar a atividade. O prejuízo no campo foi enorme. Estimativas falam em mais de 170 milhoes de litros jogados fora. A paralisação dos caminhoneiros e a alta dos custos da produtividade foram responsáveis pela redução da produção leiteira no país. No mês de maio, foram registrados 9,3%, volume mais reduzido que no ano de 2017, segundo pesquisador da Embrapa. O resultado deixa claro que 176,7 milhões de litros não foram coletados. A estagnação ocorreu após a produção de 2017 ter avançado 5% após um grande período de crise econômica em que os anos de 2015 e 2016 registraram uma redução de 2,7% e 3,7%. O problema foi a crise que assolou o país de modo geral. Nessa época, o valor internacional do litro de leite pago aos produtores atingiu US$ 0,22 e a tonelada do leite em pó foi negociada a US$ 2 mil. No mês de novembro de 2018, foi vendida a US$ 3 mil a tonelada.De acordo com a rede que analisa os preços das fazendas produtoras de leite no mundo, o International Farm Comparison Network (IFCN), o valor pago ao produtor está estável em US$ 0,35 por litro, quase igual ao valor histórico de US$ 0,37.

O segmento lácteo precisa aprender a conviver com estes altos e baixos que terão no setor e já existe em todo o mundo. Veja o exemplo do hortifrut, consegue se reinventar a cada momento, pois a verdura ou fruta pode subir ou abaixar o preço da noite para o dia, sem nenhum aviso, basta uma chuva de granizo na área de produção. É um setor mais volátil que a cadeia láctea e, mesmo assim, consegue sobreviver.

O Site Ciência do Leite pontua o que aconteceu no ano que passou, sempre com a esperança de um ano melhor para a cadeia produtiva do leite.

Saudações Laticinistas

Marco Antônio Cruvinel Lemos Couto
Diretor Técnico-Administrativo Site Ciência do Leite
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