11/12/2018 às 11h57min - Atualizada em 11/12/2018 às 11h57min

Como desenvolver a cadeia produtiva do leite com vistas a torna-la um importante exportador mundial de lácteos.

Cadeia de lácteos - O Brasil tem se consolidado como um importador líquido de lácteos. Todavia, o país tem condições excepcionais de produção de leite como a disponibilidade de fontes de alimento e o vasto rebanho, mas os custos que incidem sobre a cadeia como um todo, tem tornado o país pouco ou nada competitivo.

Assim, à luz da teoria econômica quais variáveis da demanda e da oferta podem ser manuseadas tendo a indústria como agente para o desenvolvimento da cadeia de lácteos brasileira? A demanda é dirigida pelos preços do produto e do substituto ou complementar, pela renda, pelas expectativas futuras, pelo hábito alimentar e pelo tamanho da população.

Dessas variáveis, a indústria pode trabalhar a questão do preço e também o hábito alimentar. Para tanto precisa aumentar a escala e a eficiência produtiva para permitir baixar preços dos produtos. Precisa ainda conhecer e atender o mercado, influenciando-o via ferramentas de marketing. Nesse sentido, trabalhar as questões de diferenciação e novos produtos, nichos, marcas e hábitos alimentares é o caminho recomendável.

 

A oferta, por sua vez, é dirigida notadamente pelo custo dos fatores de produção, tecnologia e objetivos corporativos. O custo dos fatores de produção, no caso da matéria prima leite, indica a necessidade de uma estratégia de longo prazo para a fidelização dos fornecedores - produtores de leite. A questão da fidelização do fornecimento do leite é condição sine qua non de sobrevivência à medida que o processo de concentração na indústria e na produção primária toma corpo.

Uma estratégia de fidelização requer fornecimento de serviços especializados, assistência técnica continuada e pagamento diferenciado pela fidelidade. Deve-se pagar ainda por volume, qualidade e sólidos; sendo esse último, essencial para a produtividade dos processos industriais.

A outra variável é a da tecnologia, que promove qualidade e produtividade. Estar atendo às mudanças tecnológicas e estabelecer parceria com instituições de ensino e pesquisa de forma a manter sua tecnologia atualizada, e promover a capacitação do pessoal se torna especial para o desenvolvimento. Outra variável relevante são os objetivos corporativos de longo prazo. Deve-se explicitar o Market share desejado e como será obtido.

O mercado doméstico está afeito à renda, sua distribuição e aumento, todos fora da alçada da indústria; sendo uma variável independente. Para uma expansão robusta há de se buscar a demanda externa, via comércio internacional. Uma estratégia vitoriosa considera as características do mercado e variáveis como preço, padrão de qualidade, mix de produtos e relações comerciais de longo prazo. Vendas esporádicas atendem a objetivos conjunturais, mas não contribuem para o share no mercado internacional.

 

Nesse contexto, um trabalho integrado entre as industrias criando, caracterizando e divulgando uma marca brasileira, como o Goodairy Brazil, que é uma parceria Viva Lácteos e APEX, são de grande importância para o fortalecimento da imagem do Brasil no exterior e promoção das exportações. Por fim, o governo precisa agir no “custo brasil” e nas ações diplomáticas para tornar a cadeia produtiva do leite exportadora líquida de lácteos. O nosso enorme potencial produtivo não pode ficar atrelado ao avanço da demanda no País; o caminho é a exportação.



Fonte: EMBRAPA Gado de Leite

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