28/06/2018 às 12h00min - Atualizada em 28/06/2018 às 12h00min

A fórmula de sucesso para a alta produtividade do leite

Naiara Araújo

Criador de vacas holandesas investe em melhoramento genético e alimentação para atingir produtividade de 28 litros por dia

O Brasil é um dos principais players globais na produção de grãos, carnes, entre outros produtos. Mas ainda engatinha quando o assunto é a pecuária leiteira. Enquanto os vizinhos Argentina e Uruguai registram uma produtividade média de 12 litros por vaca por dia e alguns países europeus ultrapassam 18 litros por vaca por dia, o Brasil apresenta a vexatória produtividade média de 4,4 litros de leite por animal, segundo dados do IBGE.  

Felizmente, esse número não vale para todos. Entre os exemplos de boas práticas na fazenda está o paranaense Egon Krüger, que registra uma produtividade média de 28 litros de leite por vaca na Fazenda Cristalina, localizada em Palmeira (PR). O pecuarista conta que espera avançar ainda mais em 2017 e atingir uma produtividade diária de 32 litros de leite por animal, com investimento em genética e boas práticas de manejo.  

Ele representa a terceira geração da família Krüger, uma família de origem europeia que tradicionalmente aposta na pecuária leiteira. Com 100 hectares e 80 animais da raça holandesa em período de lactação, a produção de leite chega a 2.200 litros diários na Fazenda Cristalina. Além desses animais, há também nove vacas secas, 12 novilhas prenhas, oito vacas para inseminação e 40 novilhas com idade inferior a 1 ano.  

Segundo o produtor, a fórmula de sucesso na pecuária leiteira é a soma de três fatores: alimentação, manejo e genética. “Não adianta ter a melhor vaca do mundo se não tiver comida. A genética vai responder na produção através da alimentação”, afirma o pecuarista.  

Vaca gosta de rotina A fazenda foi planejada para atender todas as necessidades das vacas holandesas em período de lactação. Durante a manhã, elas ficam livres no pasto de aveia e azevém, enquanto os dois funcionários da fazenda limpam o barracão e preparam a ração balanceada. Os principais ingredientes são a silagem de milho, de aveia e de azevém, aditivos e sais minerais.  

O alimento é picado e servido aos animais, que ficam confinados quando saem do pasto, após o meio-dia. “Cortamos o capim e a silagem em 3 ou 4 centímetros, porque tudo que for maior que a boca da vaca ela seleciona, e antes a gente tinha bastante desperdício.”  

Ração homogênea Segundo Krüger, um diferencial de sua fazenda é a utilização de uma misturadora, que garante oferecer aos animais uma ração mais homogênea, o que eleva a eficiência do consumo. O produtor conta que, após a aquisição do equipamento, em 2009, a produtividade aumentou cerca de 3 litros diários por vaca. “O que melhorou foi a mistura de todos os ingredientes para a vaca não ficar selecionando o que come”, diz o pecuarista. Segundo ele, o investimento para a aquisição da misturadora, de R$ 78 mil, valeu a pena. “A misturadora se pagou sozinha com o aumento da produtividade”, conta Krüger.  

Cada animal come, em média, 5 quilos de ração. Mas os valores podem variar de acordo com a produção de leite. “Quanto mais leite produzir, mais ração balanceada o animal recebe”, diz o produtor. Outro detalhe de ouro para garantir a boa produtividade é seguir a rotina à risca. Os horários das ordenhas, sempre às 4h30 e às 16h30, são respeitados com devoção. “A vaca gosta de rotina”, conta Krüger. “Quanto maior a rotina, tudo sempre do mesmo jeito, tudo no mesmo local, melhor para o bem-estar da vaca.”  

Como cortar custos? O setor do leite enfrentou uma crise motivada por problemas climáticos e aumento no custo da ração animal. Com produtividade acima da média, o cenário desfavorável para a produção de leite não inviabilizou o negócio de Krüger. Porém, mesmo assim, ele conta que entre outubro de 2015 e março de 2016 as contas da fazenda fecharam no vermelho e ele precisou se desdobrar para reestruturar o negócio.  

Ele precisou encontrar um caminho alternativo para enxugar as contas, como economizar na compra de produtos de limpeza para a sala de ordenha. “Antes eu comprava produtos de primeira linha e agora fomos para a segunda linha, com marcas não tão expressivas, mas com produtos bons.”   O produtor defende que uma forma de garantir uma produção leiteira competitiva é produzindo silagem na fazenda. “É a silagem mais barata que a gente consegue”, diz Krüger. Segundo o produtor, a silagem é comercializada por cerca de R$ 300 a tonelada em Palmeira. Com a silagem que é produzida na Fazenda Cristalina, o custo de produção varia entre R$ 80 e R$ 90 por tonelada e a economia com a compra de silagem chega a 70%.  

Boas práticas na pecuária leiteira Bom desempenho do rebanho leiteiro exige a adoção de boas práticas na atividade, como cuidados com higiene, manejo adequado, treinamento dos funcionários, gestão na aplicação de medicamentos e controle de doenças, entre outros detalhes. As boas práticas na fazenda ajudam a evitar a mastite, uma doença causada pela inflamação das glândulas mamárias das vacas que é um dos principais problemas que prejudicam a produção brasileira de leite. “A gente tenta das mais diversas formas controlar a mastite, mas uma ou outra vaca sempre tem a doença”, diz Krüger.  

De acordo com Roberta Züge, médica veterinária e conselheira no Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), o produtor de leite deve buscar garantir um ambiente sem riscos de contaminação e não deixar a área de produção com lama ou esterco, por exemplo. “Com a mastite, a composição do leite fica diferente, o animal produz menos e o produtor recebe menos. Mas, se o produtor fizer corretamente o manejo, ele evita perdas com a doença”, diz Roberta.  

Melhoramento Genético Krüger também investe pesa- do no melhoramento genético da raça holandesa e acredita que esse é um dos principais caminhos para aumentar a produção leiteira. As principais características genéticas que os pecuaristas buscam estão relacionadas ao volume de leite produzido, características que garantam um parto menos traumático e também a altura dos úberes.

“Estamos produzindo touro com genoma e o cliente sabe o que está comprando, sabe as características hereditárias”, diz Krüger. “O criador vai ter um animal mais produtivo, que vai ficar mais tempo no rebanho e, consequentemente, vai ter mais lucro com ele.”   * Essa é uma versão resumida da matéria publicada na revista Farming Brasil.


Artigo original do site SF Agro | Farming Brasil

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »