08/04/2016 às 16h36min - Atualizada em 08/04/2016 às 16h36min

Mercado global de lácteos deve continuar fraco este ano e produção brasileira deve recuar

As perspectivas para o mercado global de lácteos devem continuar fracas ao longo de 2016, mas com pressão de alta para as cotações à medida que 2017 se aproxima, afirma o Rabobank em seu relatório global sobre lácteos do primeiro trimestre deste ano.

Segundo o banco holandês, os preços em dólar dos lácteos continuaram a cair num mercado em grande parte influenciado pelo nível de apoio de intervenção na União Europeia. As perspectivas para o curto prazo permanecem pessimistas, diz o relatório. Diante da queda nos preços, o crescimento da produção de leite em várias regiões do mundo continua a desacelerar.

O Rabobank afirma que as conversas no mercado sobre recuperação dos preços internacionais diminuíram uma vez que dois fatores de risco de baixa apresentados no relatório de dezembro se tornaram realidade, fazendo as cotações ficarem abaixo do esperado pelo banco. Os motivos foram a produção de leite maior do que o previsto na União Europeia e a demanda mais fraca em mercados em desenvolvimento, como a China e países dependentes da receita do petróleo. Com esses dois fatores, os preços caíram cerca de 15%.

O estrategista global de lácteos do banco holandês, Kevin Bellamy, diz, no relatório, que “com exceção do Brasil — afetado pela pior recessão em uma geração — o Rabobank prevê que o consumo de lácteos deve continuar a crescer na Ásia bem como nos e na União Europeia”. Além disso, a instituição espera que, no decorrer de 2016, a desaceleração do crescimento da produção será compensada pelo lento, mas estável incremento da demanda na maior parte das principais regiões exportadoras.

O relatório destaca os fatores que podem influenciar o mercado nas principais regiões de produção de leite do mundo. Na Europa, avalia o Rabobank, os preços baixos do leite ao produtor devem levar a uma desaceleração do crescimento da produção. A razão é que os pecuaristas devem focar mais em redução do que custo do que em expansão de produção. No entanto, embora o incremento deva ser mais moderado na Europa, os níveis de produção não devem cair, exigindo que o mercado mundial encontre um novo preço de equilíbrio.

Sobre a Nova Zelândia, maior exportador mundial de lácteos, o relatório prevê que a temporada de produção 2015/16 no país deve ser maior do que o esperado devido ao aumento das chuvas de verão.

O banco destaca ainda que os preços ao produtor nos EUA devem se retrair em resposta ao enfraquecimento da balança de comércio e ao crescimento dos estoques.
Em relação à China, o Rabobank informa que a produção pior do que a esperada no segundo semestre de 2015 no país asiático levou a uma redução nas previsões para este ano. Para o banco holandês, o consumo crescente e o menor avanço da produção estão levando a uma diminuição dos níveis dos estoques. No entanto, conforme o relatório, informações recentes de companhias sugerem que as reservas podem continuar altas em alguns casos. Assim, se os estoques se mantiverem significativos, o retorno da China — maior importador mundial de lácteos — ao mercado internacional pode demorar mais.

O Rabobank projeta recuo de 3% na produção de leite no Brasil neste primeiro semestre, com queda do consumo na mesma proporção. A avaliação é de que não haverá melhora devido à situação política e econômica atual. Paralelamente, os custos de produção devem se manter em alta. Apesar do real enfraquecido ante o dólar, o Rabobank aponta que os laticínios ainda enfrentam dificuldades de avançar no mercado internacional, em parte por causa da falta de acordos comerciais que favoreçam a indústria brasileira. Já os parceiros do Mercosul Argentina e Uruguai devem manter suas exportações firmes neste primeiro semestre.

Fonte: Valor Econômico e Estado de São Paulo.


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