15/04/2013 às 13h20min - Atualizada em 15/04/2013 às 13h20min

Controle de verminose em caprinos e ovinos

A utilização de medidas profiláticas e curativas no controle das principais doenças que acometem caprinos e ovinos é de fundamental importância para melhorar a produtividade destas espécies.  

Estes animais são considerados rústicos, no entanto, eles são afetados por várias enfermidades. O aparecimento e a difusão destas enfermidades estão relacionadas com o meio ambiente e o tipo de criação. Estas doenças são produzidas por parasitas (helmintoses, protozoozes e ectoparasitoses); Bactérias (linfadenite caseosa, pododermatite, mastite, tétano e pneumonia); vírus (ectima contagioso, raiva, febre aftosa, artrite encefalite caprina viral - CAEV, e rickettsias (micoplasmose) e de origem metabólica (timpanismo). Convém lembrar que as fontes de água também merecem atenção especial, pois, podem constituir-se em focos de doenças.  

Desta forma, para assegurar a viabilidade econômica do rebanho é fundamental um bom esquema sanitário acompanhado de boa alimentação e higiene rigorosa, principalmente no tocante às helmintoses. 

As helmintoses gastrintestinais ou verminoses são causadas por parasitas também conhecidos por helmintos ou vermes que são responsáveis pelas maiores perdas no rebanho caprino, o que resulta na diminuição da produtividade e morte dos animais, pois, apresentam uma prevalência de aproximadamente 99%. 

De acordo com seu ciclo evolutivo, os helmintos passam uma parte de sua vida nas pastagens e o restante de sua existência no estômago ou intestinos dos animais. Os animais são infectados, principalmente pela ingestão de larvas infectantes existentes na pastagem. 

Os animais parasitados eliminam ovos dos helmintos junto com as fezes e estes, no meio externo, desenvolvem-se e dão origem as larvas infectantes (após cinco a setes dias), que são encontradas nas pastagens. Durante o pastejo, os animais são infectados e as larvas se transformam em helmintos adultos em aproximadamente três a quatro semanas. 

Os sintomas clínicos observados nos animais doentes são: perda de peso, anemia, edema na região submandibular, diarréia, desidratação, pêlos arrepiados e sem brilho, baixa produtividade do rebanho, com queda na produção de leite, culminando com a morte do animal. 

Com preocupação em eliminar este problema até o final da década de 90, a forma utilizada por técnicos e criadores para o controle da verminose era basicamente a aplicação sistemática quinzenal ou mensal de anti- helmínticos sintéticos. 

Ainda como medidas profiláticas para o controle da verminose gastrintestinal, devem ser adotadas práticas de manejo, tais como: 

Limpeza e desinfecção das instalações (formol comercial a 5%, soda cáustica a 2% e fenol a 5%); 

Manter as fezes acumuladas em locais distantes dos animais e, se possível, usar esterqueiras; 

Evitar superlotação das pastagens;

 

Separar os animais por categoria animal; 

Vermifugar o rebanho ao trocar de área; 

Animais adquiridos recentemente devem ser colocados em quarentena; 

Realizar a troca do princípio ativo anualmente; 

Não proceder vermifugações desnecessárias, e nem em intervalos curtos, para evitar o aparecimento de resistências dos parasitos aos anti-helmínticos; 

Não vermifugar as fêmeas prenhez no primeiro terço da gestação.  

Como o mercado consumidor atualmente tem buscado qualidades organolépticas melhores e cada vez mais exige alimentos seguros, com um mínimo de resíduos de produtos químicos, são feitas algumas advertências com relação ao uso indiscriminado de fámacos, pois estes podem deixar resíduos de compostos químicos que foram administrados aos animais, além de serem eliminados com as excreções dos animais, contaminando o meio ambiente. 

Neste contexto, vem aumentando cada vez mais as pesquisas e utilização de produtos alternativos no controle de verminoses dos pequenos ruminantes. Em várias regiões, alternativas fitoterápicas estão em uso, por estímulo, inclusive, da sabedoria popular. Como exemplo de alternativas fitoterápicas, tem-se o uso do fruto de Cocos nucifera L. além de outras plantas, como: Carica papaya (mamão papaia), Chenopodium ambrosioides (Erva - de - Santa - Maria), Momordica charantia (Melão - de - São - Caetano), Baccharis trimera (carqueja), Artemisia absinthium (losna).  

As pesquisas que estão sendo conduzidas têm mostrado resultados promissores, mas ao mesmo tempo demonstram reações tóxicas no organismo hospedeiro. Torna-se necessário, baseado no exposto anteriormente, que a relação entre ação da planta, dosificação com ação significativa e efeito tóxico, seja muito bem investigada, com o objetivo de difundir os conhecimentos adquiridos de maneira clara no momento da utilização prática do fitoterápico.  

Sendo assim, a realização dos testes laboratoriais são essenciais no início da investigação, no sentido de estimar a possibilidade de uso de determinado fitoterápico. Deve-se levar em consideração também, o efeito sinérgico observado na constituição de alguns extratos vegetais, onde o efeito sobre a praga alvo é provocado por vários constituintes do extrato e a união dos mesmos potencializa seu efeito. A validação da eficiência ocorre realmente nos experimentos a campo, onde os fatores ambientais, tais como temperatura, umidade e pluviosidade, além de fatores inerentes ao hospedeiro, como o comportamento, irão influenciar diretamente nos resultados, provocando uma série de testes para se chegar ao ajuste final da fórmula.  

Outro ponto que deve ser levado em consideração, é que as pesquisas desenvolvam metodologias e produtos de fácil uso por parte dos produtores. Pois, o manejo de caprinos e ovinos, apesar de “teoricamente” ser mais fácil, é extremamente intenso. Desta forma, além de resultados satisfatórios, a facilidade de uso da fitoterapia também merece atenção, contribuindo assim, para a obtenção de alimentos seguros, oriundos da criação de caprinos e ovinos.





Autor: Emanoel Elzo Leal de Barros

Referências bibliográficas: 

IEPEC - Instituto de Estudos Pecuários

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