16/08/2010 às 15h01min - Atualizada em 16/08/2010 às 15h01min

Leveduras: a solução que vem da indústria

A levedura é uma rica fonte protéica, bastante eficiente na alimentação do gado leiteiro. Além do alto valor nutritivo, as leveduras também facilitam a digestão de outros alimentos. Análises promovidas em importantes centros de pesquisas mostram aumento na produção de leite de vacas suplementadas com esse subproduto da agroindústria, encontrado geralmente na fabricação de bebidas fermentadas, açúcar e álcool. "Além dos efeitos sobre os processos fermentativos no rúmen, o uso da levedura na alimentação de vacas leiteiras vem resultando em aumento de 5% a 8% na produção de leite, maior produção de gordura no leite, por meio de um incremento no consumo de alimento.     Outras pesquisas evidenciam um efeito sobre a curva da lactação com antecipação do pico de produção e maior persistência", revela o professor Paulo Muhlbach, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Nos Estados Unidos, levantamento realizado entre as propriedades leiteiras consideradas elites, mostra que mais de 50% dos participantes empregam a levedura como aditivo a dieta da vaca em lactação. "Os modernos aditivos, a base de levedura, caracterizam-se pela alta concentração de células viáveis, metabolicamente ativas, associadas ao seu meio de cultura específico", aponta Muhlbach. 

De acordo com o pesquisador Duarte Vilela, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG), a levedura também pode funcionar como suplemento protéico líquido, uma vez que possui vários pontos favoráveis quando utilizados como parte da ração dos animais. "Se misturado às rações na proporção correta e fortificado com vitaminas e minerais, é possível que resulte num efetivo suplemento líquido para ruminantes", garante.

PRIORIDADE – Atualmente, uma das maiores preocupações dos especialistas mundiais é compatibilizar a demanda por nutrientes (com efetivo aporte destes), mantendo-se os processos de fermentação no rúmen em condições fisiologicamente normais nas vacas leiteiras. Segundo Muhlbach, a tarefa se torna ainda mais difícil, na medida em que há necessidade de se manter um teor mínimo de fibra vegetal na dieta. "Nesse caso podem ocorrer sérios distúrbios digestivos (acidose, laminite etc), causando queda no consumo e propensão à acetonemia, que afetam a produção de leite e a eficiência reprodutiva", alerta. 

Em outras palavras, o professor afirma que não se pode compensar a insuficiente capacidade de consumo de nutrientes, principalmente de energia (mesmo que o animal esteja perdendo peso), fornecendo-se os alimentos concentrados à vontade. "Na prática procura-se amenizar o problema por meio do uso de substâncias tampão (bicarbonato de sódio e/ou óxido de magnésio) e/ou fornecendo-se o concentrado em várias refeições diárias (alimentação por transponder) ou, ainda, em mistura com o volumoso (dietas total misturadas)", explica Muhlbach.

MODELO – Ainda não se conhece um modelo definitivo de ação da levedura no organismo dos animais. No entanto, alguns trabalhos revelam que a utilização de leveduras em dietas a base de volumoso provocaram crescimento na taxa inicial de fermentação da fibra vegetal. Por outro lado, nas dietas com grande proporção de concentrado, a levedura evitou o acúmulo de ácido láctico no rúmen.

Estudo realizado no Rowett Research Institute, de Aberdeen, na Escócia, mostra que o estímulo da levedura a atividade microbiana do rúmen, provavelmente ocorre com todos os tipos de dieta. De acordo com os escoceses, seu efeito é mais visível em circunstâncias de estresse que afetam as bactérias de modo negativo, particularmente as espécies celulolíticas. 

No Brasil, pesquisadores acreditam que as leveduras podendo ser importantes na redução do custo final da ração fornecida, caso seu preço seja menor do que outros componentes protéicos. Para Luiz Aroeira e Pedro Aroeira, da Embrapa Gado de Leite, o criador deve prestar bastante atenção na hora de adquirir o produto. "Inicialmente, a levedura deve ser proveniente de uma fonte idônea, para evitar a aquisição de produto contaminado, que eventualmente poderia causar distúrbios digestivos. A origem e a composição da levedura devem ser conhecidas, especialmente seus teores de matéria seca e proteína bruta. A partir daí, deve-se então preparar uma ração economicamente viável aos níveis de produção esperados", concluem.




Autor: Revista Alimentação Animal

Referências bibliográficas: 

FONTE: Revista Alimentação Animal – Número 14 
Sindicato Nacional da Indústria Alimentação Animal 
E-mail: sindiracoes@uol.com.br


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