16/08/2010 às 14h58min - Atualizada em 16/08/2010 às 14h58min

Intensificação de sistemas de produção de leite

A receita para se atingir elevada eficiência em sistemas de produção de leite é composta de cinco requisitos básicos: explorar vacas especializadas, manejo sanitário adequado, ter bom manejo reprodutivo, ter bom manejo nutricional e oferecer condições adequadas de conforto para os animais. Tais itens independem do sistema de produção adotado, seja ele baseado em pastejo ou em confinamento total, com alto ou baixo nível de concentrado, com vacas Holandesas, Jerseys, Pardo Suíças ou mestiças.  

Produtores de leite eficientes dos Estados Unidos, Canadá, Europa e Oceania têm em comum o fato de cumprirem esses requisitos de forma satisfatória. Citando inicialmente o conceito de vaca especializada, é preciso esclarecer que ele não está relacionado à pureza racial, tipo ou aparência do animal, mas sim a aspectos produtivos como potencial genético, persistência de lactação, eficiência reprodutiva, longevidade e outros. 

Isso vale para produtores americanos, que adotam sistemas de confinamento total e exploram o mérito genético das vacas, obtendo produções de 8.000 a 13.000 kg de leite por vaca/ano, como também para produtores da Nova Zelândia, que adotam sistemas baseados exclusivamente em pastagens manejadas intensivamente e exploram a produção de leite por área com vacas produzindo entre 3.000 a 4.500 kg, fazem uso de animais especializados, com alto mérito genético, elevada persistência de lactação e inseminam estas vacas com touros provados melhoradores para a produção de leite, proteína e gordura. 

No Brasil, a difusão do conceito de animal rústico em detrimento do animal especializado resultou de uma pecuária leiteira baseada em vacas com alto grau de sangue zebuíno, de baixo potencial genético e baixa persistência de lactação. Esses fatores, associados a um manejo nutricional, reprodutivo e sanitário inadequados têm como conseqüência um panorama que mostra a vaca média brasileira produzindo apenas 1.000kg de leite por ano, com lactação inferior a 10 meses e intervalo entre partos superior a 15 meses. 

Em um sistema eficiente de produção de leite tem-se como objetivo vacas dando uma cria a cada 12 meses, produzindo leite durante 10 meses e permanecendo secas apenas dois meses. Isto significa que a vaca deve estar em produção pelo menos 83% dos dias do ano, ou seja, 10 meses de produção divididos por 12 meses do ano. Transferindo este valor para o rebanho, o produtor deve ter em média 83% das vacas do rebanho em lactação e apenas 17% das vacas secas ao longo do ano. 

O fator mais importante para que um valor elevado de vacas em lactação no rebanho seja atingido é trabalhar com animal de alta persistência de lactação. Entende-se por vaca de alta persistência, aquela que apresenta queda de produção após o pico de lactação de no máximo 10% a cada 30 dias, isto é, capaz de manter pelo menos 90% da produção a cada 30 dias após o pico de lactação. Vacas com alta persistência são capazes de produzir leite por mais de 10 meses, enquanto vacas com baixa persistência normalmente produzem leite por apenas cinco a nove meses. 

A tabela 1 mostra a interação entre período de lactação e intervalo entre partos em termos de percentual de vacas em lactação no rebanho. E importante observar que rebanhos que possuem vacas com alta persistência apresentam percentual de vacas em lactação sempre acima de 80% mesmo quando o intervalo entre partos é maior que 12 meses, enquanto em rebanhos que possuem vacas com baixa persistência. o período de lactação é normalmente inferior a 10 meses e a porcentagem de vacas em lactação é baixa (inferior a 80%) mesmo com reprodução eficiente.


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »