07/08/2008 às 12h26min - Atualizada em 07/08/2008 às 12h26min

Setor de embalagens desacelera crescimento

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A produção de embalagens deve crescer no mínimo 1,6% no segundo semestre de 2006. É o que revela o estudo divulgado nesta terça-feira, 29, pela Abre (Associação Brasileira de Embalagem), realizado em parceria com a FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas). O economista Salomão Quadros, responsável pelo estudo, observa que este crescimento pode alcançar os 2,8%, caso se configure um cenário econômico mais favorável até o final do ano. Mas, para isso, precisaria que fatores, como a redução dos juros, dinamizassem a economia no período.

Salomão Quadros, da FGV-SPEntre altos e baixos, o setor deve fechar o ano com um crescimento da produção entre 1,2% num cenário conservador e, em 1,8%, considerando um cenário otimista. Ainda assim, melhor do que o do ano passado, quando registrou uma queda de 1,26% da produção em relação a 2004.

A sondagem conjuntural inclui uma pesquisa qualitativa feita pela FGV com 1200 empresas no País. Para conhecer as expectativas do empresariado do setor de embalagens, é feito um recorte com mais de 90 empresas. Os empresários ouvidos na pesquisa qualitativa declararam que estão contendo a compra de insumos, bem como a contratação de mão-de-obra.

Embora a desaceleração no crescimento da produção seja uma realidade no setor, parte dos empresários vê com mais esperança o cenário para os próximos seis meses, mas parte entende que a situação atual não é muito boa.

Depois de dois períodos fracos nos dois últimos trimestres de 2005, o começo do ano trouxe boa expectativa, mas no segundo trimestre de 2006 houve retração. O primeiro semestre, como um todo, teve crescimento de 0,55% na produção física de embalagens.

?A maneira como os empresários vêem os seus negócios é oscilante?, diz Quadros. Afinal, ora a economia está fraca, ora está melhor. Em conseqüência da instabilidade, os empresários têm optado por reduzir gradativamente a produção. ?O resultado líquido é que o setor está menos encorajado. E quando começam a reduzir o nível de utilização, eles não têm razão para investir?, ressalta o economista.

Alguns segmentos de embalagens se saíram melhor do que outros. ?Quem estava mal no semestre ficou em pior situação no segundo trimestre. Em outros segmentos, o comportamento foi favorável?, observa. Foi o caso de vidro e de metal que apresentaram um crescimento de 8,94% (vidro) e de 4,59% (metal).

Em embalagens de metais, o economista observa que latas de aço e folhas de flandres experimentaram uma queda de 4,1%, enquanto as latas de alumínio registraram crescimento de 9,18% de produção (jan-maio 2006), o que pode indicar, que houve uma migração de uso de uma para outra embalagem.

Em alta

O coordenador da Comissão de Economia e estatística da Abal (Associação Brasileira do Alumínio), Cláudio Chaves, afirma que ?não podemos falar em substituição de latas de aço por latas de alumínio para explicar o crescimento da produção das latas de alumínio?.

A migração de alimentos para embalagens de alumínio ainda é embrionário, mas exemplos começam a surgir, como o lançamento da Femepe que colocou o atum Pescador em lata de alumínio com tampa abre-fácil, substituindo a de aço.

Junto com construção civil e transporte, embalagens é um dos três principais segmentos onde o alumínio é aplicado. E, dentro do segmento de embalagem, o destaque fica por conta da lata de alumínio. ?Nós temos também as embalagens flexíveis com toda a sorte de embalagens para as indústrias farmacêutica e de alimentos. Temos os lacres de alumínio, as embalagens longa vida cartonadas, que levam folhas de alumínio no interior como barreira de luz, um segmento muito importante também?, lembra Chaves.

Segundo ele, o destaque do ano é, sem dúvida, a lata de alumínio, que tem puxado o setor, em função do crescimento da indústria de bebidas em geral, tanto de cerveja quanto de refrigerante. As temperaturas elevadas e o aumento de renda são fatores que justificam este crescimento. ?Olhando as Regiões, percebemos o crescimento no Nordeste, ligado ao aumento da renda e do salário mínimo?. A Copa do Mundo também contribuiu para que a sazonalidade fosse menor este ano, aumentando o consumo de bebida e, conseqüentemente, o de latas.

Para o diretor comercial da Latapack (uma das três fabricantes de latas de alumínio no País), Jorge Bannitz, o que houve foi mesmo um crescimento do consumo. Hoje 94% das latas utilizadas no envase de cerveja, refrigerantes e sucos são de alumínio. Atuam no País quatro fabricantes de latas para bebidas. Desses, três são fabricantes de latas de alumínio (Latapack, Crown e Rexam) e um, de lata em aço com tampa em alumínio (Metalic).

?O nosso setor está numa ilha de prosperidade?, observa Bannitz, se referindo aos três fabricantes de latas de alumínio, que costumam divulgar os dados em conjunto, representados pela Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade). Segundo dados divulgados pela entidade, o crescimento no primeiro semestre foi de 11,7% em relação ao mesmo período de 2005. Em julho, o desempenho das latas de alumínio cresceu mais ainda.

?Fechamos janeiro a julho com 12,3% de crescimento. Acho difícil que diminua nos próximos meses, porque estaremos comparando com uma base fraca, que foi o segundo semestre de 2005, quando, infelizmente, a economia não foi bem e vimos o crescimento cair a partir de agosto?, recorda o executivo.

A alta na produção poderia ser explicada também por uma migração das embalagens de vidro para lata. ?Mas eu não acredito que seja isso?, observa. Ele explica que quando o consumo cresce, geralmente a lata é beneficiada, pois o vidro é um ativo mais caro. ?Além disso, a indústria de vidro não tem tanta capacidade ociosa, por isso não tem como reagir a um crescimento muito rápido. Neste caso, a lata é uma alternativa muito boa, pois tem capacidade para reagir de forma mais rápida do que o vidro?, conta.

Em baixa - Os segmentos de embalagens com fraco desempenho foram plásticos (-1,85%), madeira (-1,22%) e papel e papelão (-1,96%), todos com queda na produção no primeiro semestre. Caixas de papelão ondulado - carro-chefe do segmento de papel e papelão ? apresentou uma queda de 1,7% na produção. ?Não foi só questão de substituição. Houve queda no consumo?, afirma Quadros.

No segmento de plásticos, o item embalagens para produtos alimentícios ou bebidas foi um dos poucos que apresentou desempenho positivo, com crescimento da produção de 10%, fazendo com que o resultado global do segmento fosse compensado.

Outro item levantado pela pesquisa mostra que rolhas, tampas e cápsulas plásticas registraram queda de 17,31% na produção (jan-maio 2006), enquanto rolhas, tampas e cápsulas metálicas apresentou crescimento de 22,8%, podendo esses dados estarem relacionados.

Usuários

Para entender o comportamento do setor de embalagens, o estudo traz também o desempenho dos usuários de embalagem. De um modo geral, houve uma desaceleração do crescimento da produção em todos os setores, e, em alguns casos, até queda da produção, como em vestuário, calçados e perfumaria. O setor de alimentos - que consome mais da metade da produção de embalagens - registrou uma taxa de crescimento de 1,22% no primeiro semestre do ano, menor do que os 3,19% registrados no mesmo período de 2005.

No setor de bebidas, a taxa de crescimento da produção passou dos 10,07%, no primeiro semestre de 2005, para 5,61% no mesmo período de 2006. No entanto, para o segundo semestre, o setor de bebidas e o de produtos farmacêuticos estão entre os mais otimistas.

Comércio exterior - Embora as exportações de embalagens representem apenas 3% do faturamento global do setor, o resultado apurado no primeiro semestre de 2006, da ordem de US$ 161 milhões, significou um crescimento de 9% em relação ao mesmo período do ano passado, com US$ 147,7 milhões. O segmento de vidro foi um dos que obteve melhores resultados, alcançando exportações de US$ 8,3 milhões, com crescimento de 39,9%. O economista comentou que um dos nichos de mercado onde o produto brasileiro vem ganhando espaço no mercado exterior é o de garrafas para bebidas alcoólicas.

As importações, por sua vez, vêm crescendo gradativamente. Em 2006 o país importou o equivalente a US$ 126,3 milhões no primeiro semestre, contra US$ 100,3 milhões no mesmo período de 2005. Entre as embalagens que apresentaram maior crescimento nas importações estão as embalagens de papel e papelão, com 65,53% e as metálicas, com 63,58% no primeiro semestre de 2006.

Márcia Eskinazi



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