07/08/2008 às 09h05min - Atualizada em 07/08/2008 às 09h05min

Embalagens para leite e derivados

Embalagens para leite em pó integral: Principais fatores responsáveis pela deteriorização do leite em pó integral são:

a) degradação do sabor, acarretada pela oxidação da gordura devido a ação catalítica da luz com a presença de oxigênio.

b) Escurecimento não enzimático - Reação de Maillard.

A oxidação de gordura em leite em pó integral é o fator mais crítico para obter um produto com maior vida-de-prateleira. Reduzindo-se o oxigênio na embalagem e mantendo-o em níveis de 1-2%, é possível ter uma vida-de-prateleira de até um ano, contando que a temperatura de estocagem não passe de 30ºC. A inertização com N2 e/ou CO2 tem sido empregado para remoção do oxigênio durante ao acondicionamento do leite em pó integral. Numa embalagem com baixa permeabilidade ao oxigênio como as latas metálicas com selos de alumínio ou as laminadas flexíveis contendo uma folha de alumínio na sua estrutura, é necessária para que se obtenha após uma inertização eficiente uma vida de prateleira de 12 meses para o leite em pó integral. Uma alternativa econômica são as embalagens flexíveis de poliester metalizado/polietileno. a vida de prateleira do produto acondicionado, nessas embalagens vai depender da taxa de permeabilidade ao oxigênio (TPO2) do material, da quantidade de leite, da área de exposição e da eficiência da inertização. A TPO2 dos materiais a base de poliéster metalizado varia principalmente com a espessura e homogeneidade da camada de metalização. Vários laminados de poliéster metalizados foram caracterizados quanto a TPO2 e a partir dos valores obtidos experimentalmente calculou-se teoricamente a vida de prateleira para o leite em pó integral. Concluiu-se que este material é uma opção variável para acondicionamento de leite em pó integral durante 12 meses, se respeitados os limites para os fatores. Relação área/volume de embalagem, eficiência da inertização e TPO2 do material.

Embalagens para leite fluido esterilizado: Leite fluido esterilizado, cujo sistema empregado é a esterilização do produto e posterior acondicionamento na embalagem em ambiente asséptico, requer uma embalagem compatível com o sistema de fechamento e enchimento, resistente ao meio de esterilização do material e que permita um fechamento hermético, a fim de evitar a recontaminação microbiológica do produto. No caso de leite fluido esterilizado, após acondicionamento, a embalagem deve apresentar resistência técnica e mecânica para suportar as solicitações à temperatura de processo. Além disso, o sistema de fechamento deve ser hermético, a fim de evitar a recontaminação microbiológica do leite fluido no processamento térmico e durante todo o período de estocagem e distribuição. As embalagens mais utilizadas para leite esterilizado são as cartonadas, que se diferem da usada para leite pasteurizado pela inclusão da camada de alumínio: sendo sua estrutura PEBD/cartão duplex /PEBD/alumínio/PEBD. O alumínio é introduzido principalmente para conferir barreiras ao oxigênio e a aromas, requisito essencial para a vida útil do leite, que é de três meses no Brasil.

Embalagens para leite pasteurizado: O leite fluido pasteurizado é um produto altamente perecível que deve ser conservado sob refrigeração e possui vida útil limitada por ação microbiana. As embalagens destinadas ao leite pasteurizado devem ser livres de microrganismos patogênicos e outros que possam desenvolver durante a estocagem e comercialização do produto, devem ser inertes e apresentar ação físico-mecânico compatível com o sistema de manuseio, estocagem e distribuição sob refrigeração. Alguns requisitos importantes devem ser levados em consideração como: a) Exposição à luz: perda de valor nutritivo devido à destruição de algumas vitaminas (A, riboflavina e C) e desenvolvimento de ?sunlight flavour?. b) Permeação: as embalagens utilizadas não são suficientes à permeação de odor estranho, contudo isso pode ser diminuído com cuidado de estocagem e comercialização do produto.

Embalagem para iogurte e leite fermentados: Os produtos lácteos fermentados são extremamente sensíveis, e o ambiente que os envolve pode afetar a sua qualidade. Por isso, o efeito protetor da embalagem é muito importante, principalmente se o produto for distribuído através de grandes distâncias e durante longo período de tempo. A embalagem protege e torna possível o transporte em climas quentes e até entre países. A principal propriedade protetora de um material de embalagem consiste em impedir que os elementos voláteis, gases e ar, migrem, quer dizer, saiam ou entrem através das paredes das embalagens. O material deve constituir uma barreira para os gases e os aromas, o que é especialmente importante nos países que não dispõem de rede de frio na cadeia de distribuição. O material de embalagem como película de alumínio (0,007 mm) constitui uma barreira eficaz para o anidrido carbônico e outros gases produzidos pelos microrganismos no leite acidulado. Uma barreira eficaz para os gases é importante para a qualidade do produto e para sua duração. A cultura fica impedida de recomeçar a crescer se a embalagem for estanque aos gases e for conservada fria.

Embalagem para queijos frescais: Se caracteriza como um queijo fresco que não sofre maturação, sendo muito susceptível à ação microbiana. A embalagem, geralmente, é de filme de polietileno com fechamento por grampos metálicos ou nó. Devido à pequena vida de prateleira (cerca de 7 dias), o queijo tipo Minas Frescal não exige embalagens sofisticadas, contudo a de filmes de policloreto de vinildeno com fechamento a vácuo, possibilita aumento da qualidade deste tipo de produto.

Embalagem para queijos ralados: Podem ser acrescidos em pequenos pouches de celofane (polietileno ou polipropileno), assegurando uma qualidade aceitável por 2-3 meses. Além dos danos mecânicos que ocorrem frequentemente, pode ocorrer crescimento de fungos, devido às condições de estocagem em temperatura e às características dos materiais de embalagem empregados, que devem ter sobretudo baixa permeabilidade ao vapor d?água.

Embalagem para manteiga: Sendo mantida por longo tempo de estocagem nos supermercados, a manteiga deve ser embalada em materiais impermeáveis evitando assim a transferência de odores e mantida a baixas temperaturas. O único método satisfatório para eliminação é o uso de um revestimento laminado no cartão de embalagens que já deve servir como barreira a esses gases. A utilização, portanto, de materiais laminados é essencial. A embalagem, com isso, evita o contato com o oxigênio e com a luz tirando o perigo de oxidação, da qual resulta o sabor rançoso. As características importantes para embalagem de manteiga seriam: resistência à passagem de gordura, baixa permeabilidade ao vapor d?água e proteção contra os odores externos. O papel laminado (folha de alumínio) utilizado para acondicionamento da manteiga pode ser considerado um ?pacote? sem apresentar alta resistência à passagem de gases e vapor d?água. Tendo em vista a conservação destes produtos a temperaturas inferiores a 10º C, este, necessariamente, não requer uma ótima proteção por parte da embalagem.

Embalagens para queijos curados: Queijos como o prato e mussarela são usualmente acondicionados em policloreto de vinildeno ou ?barrier bag? à vácuo. O fechamento através do grampo metálico, assegura perfeita hermeticidade mesmo após longos períodos de estocagem. No caso de queijo tipo Prato esse período varia de 3 a 4 meses. Considerações sobre sistema de embalagem Cryovac: Cryovac é uma película plástica destinada especialmente para ser usada com o processo Cryovac?de embalagem de produtos alimentícios. Essa película é preparada de forma a ser essencialmente inodora, insípida, inócua, transparente, tenaz, e flexível a baixa temperatura e se adapta perfeitamente ao produto. É largamente utilizada para acondicionamento de queijos como o Parmesão, Provolone, Cheddar e outros de maturação completa. Além destes, os queijos ainda sem cura como o Prato e suas variedades recebem o Cryovac logo após a salga. Isso evita os problemas de ressecamento e ataques de mofos e ácaros. O aspecto econômico é ressaltado, a partir do momento em que se tem idéia que o queijo perde normalmente cerca de 10% de seu peso durante a maturação e apenas 0,3-0,5% se receber a embalagem plástica (cryovac). As propriedades estão basicamente relacionadas com a contração (que é uniforme a temperaturas que são de 92-95ºC), com a transmissão de calor (que é reduzida) e com a permeabilidade ao ar (evitando o desenvolvimento de germes aeróbicos, diminuindo as perdas e distanciando os problemas de oxidação da gordura que causam sabores e odores indesejáveis. Para embalagem a vácuo, os plásticos mais usados são: a) policloreto de vinilideno (PVDC) b) poliamidas (náilon) c) polietilenos (PE). Problemas poderão ocorrer relacionados com a perfuração da embalagem, fechamento e solda com falhas e alta ou baixa permeabilidade do filme a gases e vapores.

Embalagem para requeijão, doce de leite e queijo fundido: Podem ser embalados em copos de vidro ou polietileno de alta densidade com fechamento por tampas cravadas. No caso de copos de vidro, apesar de baixa resistência a impactos permite-se a observação do produto através da transparência do recipiente o que aliado a possível reaproveitamento, pode influir na escolha entre os recipientes de vidro e polietileno, que possui a vantagem de ser mais resistente e permitir a impressão de rótulo. No caso de requeijão, queijo fundido e doce de leite em barra normalmente utiliza-se plásticos transparentes ou papel celofane seguido de embalagem em caixa de papel cartão. O doce de leite pode ser envasado em lata de folha de flandres, revestidos internamente por um verniz que impeça a exposição direta do produto ao material de embalagem, evitando por exemplo a oxidação. A mesma embalagem pode ser empregada para creme de leite, manteiga, leite condensado, leite em pó, com algumas alterações no revestimento interno, sendo que as latas utilizadas para o envase de creme de leite e leite condensado ou evaporado não possuem revestimento interno de verniz. No leite em pó a lata possui uma tampa composta de uma película metálica e uma sobretampa. Ainda para leite em pó pode-se haver a injeção de um gás inerte, o nitrogênio por exemplo, para se aumentar a longevidade do produto. Pode-se também utilizar filmes de polietileno para o envase deste produto, obedecendo as condições de ser impermeável aos gases, aos vapores d?água, de não interferir físico-química, organoléptica e microbiologicamente no produto, ser opaco evitando assim a influência da luz (condições para o leite ?in natura?) e de obedecer a convenção de cores normatizadas pela legislação da inspeção federal para leite em pó.


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