13/06/2015 às 10h50min - Atualizada em 13/06/2015 às 10h50min

Coca-Cola Femsa planeja vender produtos lácteos no Brasil

Jornal Valor Econômico.

A maior engarrafadora da Coca­-Cola no mundo, a mexicana Femsa, planeja começar a vender produtos lácteos no Brasil. A empresa estuda adquirir um laticínio no país, talvez em Minas Gerais. A intenção é comercializar produtos com maior valor agregado, como iogurtes e bebidas lácteas.

O grupo Femsa já está experimentando esse mercado no Panamá e no México. No primeiro, adquiriu a marca Estrela Azul e no segundo, em parceria com a Coca­-Cola, comprou a Santa Clara. Nesses mercados, a Femsa incluiu em seu portfólio, iogurtes, queijos, leite UHT, sorvetes entre outros itens.

“No Brasil, o que a gente está avaliando é comprar um laticínio”, disse ao jornal Valor Econômico, José Ramón Martínez, presidente da Coca-­Cola Femsa Brasil. Ele participou ontem da festa de inauguração da fábrica da empresa no município de Itabirito, em Minas Gerais.

Segundo ele, a preferência é por um laticínio que tenha linhas de produção de iogurtes, queijos, sorvetes. Entrar no negócio de leite fresco não são está no foco da companhia.

Martínez não revelou se há negociações em curso, mas disse que a Coca-Cola Femsa “está em processo permanente de avaliação” para a compra de um laticínio.

“Pode ser Minas porque é um Estado proeminentemente leiteiro. A lógica seria esta. Mas não estamos, necessariamente, restringindo [as buscas] a Minas Gerais. Mas dada a força da presença leiteira no Estado seria lógico que fosse uma empresa mineira”, disse o executivo mexicano.

O grupo Femsa é acionista da Coca-­Cola. Tem uma história centenária e o título de maior engarrafadora do mundo da marca americana. No Brasil, sua atuação teve início em 2003. A partir de 2007, passou a fazer aquisições no país. Arrematou, por exemplo, o Mate Leão em 2007 e em 2010, passou a ter 20% da cerveja Heineken.

Além de Coca­-Cola, Fanta, Sprite e sucos Del Valle, a Coca-­Cola Femsa engarrafa e distribui no Brasil chás, águas, águas saborizadas, néctares, sucos sem conservante, isotônicos e energéticos, além de cervejas da família Heineken.

“O que a gente está tentado fazer é aumentar nossa presença no mercado de bebidas. Onde seria possível fazer isso? Leite, lácteos”, disse Martínez. É uma categoria que se encaixa na linha de produtos cuja imagem está mais ligada à saúde e bem estar do que estão os refrigerantes.

Nos Estados Unidos, a Coca também já está testando o interesse do consumidor por uma bebida láctea da marca, lança recentemente: é um leite de alto conteúdo nutricional, com nível reforçado de proteínas, lembrou John Santa María, CEO da Coca-­Cola Femsa, durante uma rápida menção ao tema numa entrevista coletiva ontem em Itabirito. Segundo ele, pouco a pouco a Coca-­Cola entra nesse mercado de lácteos.

Na entrevista ao jornal Valor Econômico, Martínez depois completou: “Se, eventualmente, a gente achar uma oportunidade para se envolver no segmento de laticínio no Brasil, a gente já tem experiência para fazer isso porque a gente já opera uma fábrica no Panamá e no México”. O executivo disse que não está definido se no Brasil a opção seria lançar uma marca, ou manter o nome de um ‘player’ que venha a ser comprado. “Depende. Neste momento a gente ainda não tem uma definição de qual vai ser o caminho.”

Perguntado se a empresa deverá fechar um negócio na área de lácteos ainda este ano, Martínez fez suspense, dizendo que não há ainda uma data. “Mas vamos surpreender.” Martínez ocupa desde janeiro de 2013 a presidência da Coca-­Cola Femsa Brasil. No “sistema Coca­-Cola”, acumula 29 anos.

A nova engarrafadora da Femsa em Minas Gerais é a nona da empresa no Brasil. Os investimentos na construção da fábrica, que saiu do zero, foram de US$ 258 milhões.

Em 2014, a Coca-­Cola Femsa teve uma receita de R$ 8 bilhões e este ano, se tudo sair como espera a direção, registrará um aumento de 5% a 7%, segundo Martínez.

A decisão do empreendimento foi tomado há cinco anos, num momento bem diferente do de hoje. “Estava começando o primeiro ano da [presidente] Dilma [Rousseff]. O momento econômico e político do Brasil era bem diferente”, disse Martínez.

“O Brasil começou uma recessão no segundo semestre do ano passado. Mas nossa política na Coca­-Cola Femsa é sempre olhar no médio e no longo prazos. Este ano vai ser difícil e provavelmente o próximo também será um ano difícil, mas a planta é para os próximos 20 ou 25 anos”, disse o executivo mexicano.

Ele procurou mostrar otimismo em relação ao quadro econômico. “Estamos plenamente seguros que o Brasil vai voltar, e vai voltar fortalecido. O momento de inovar é agora.”

“No momento de crise, o mais simples seria não nos movimentarmos. Mas, não. É precisamente o momento de não parar os investimentos, de reestruturar nossa estrutura de custos e é momento de inovar.” A nova planta terá capacidade de produzir 2,1 bilhões de litros de refrigerantes por ano. Por enquanto, opera com metade de sua capacidade.

 


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