15/04/2013 às 08h40min - Atualizada em 15/04/2013 às 08h40min

BR Foods e mais 20 frigoríficos são acionados pelo MPF

Gado comercializado era criado em áreas alvo de desmatamento e com trabalho escravo. A Sadia S/A, a BRF Brasil Foods S/A (Sadia e Perdigão) e outros 19 frigoríficos de Mato Grosso foram alvos de ação do Ministério Público Federal (MPF), protocolada nesta segunda-feira (15) na Justiça Federal, por comercialização de bois criados ilegalmente em áreas alvos de desmatamento, terras indígenas e fazendas onde há trabalho escravo.

As 21 empresas processadas em Mato Grosso abateram 21.165 ‘bois piratas’, que resultaram R$ 211 milhões em ações.

As Procuradorias da República em Rondônia e Amazonas também ingressaram com outras cinco ações contra os frigoríficos desses estados. Juntas, as 26 ações pedem indenização no valor de R$ 556,9 milhões.

Em Mato Grosso, são alvos da demanda judicial os frigoríficos: Superfrigo In. Com. S.A, Sadia S/A, Rodrigo Silva Moraes Cia Ltda, Navi Carne Ind. Com. Ltda, Plena Alimentos Ltda, Marcelo Sampaio Correa ME, Frig West Frigorífico Ltda, Frigovale do Guaporé Com. E Ind., Frigorífico RS Ltda EPP, Frigorífico Jose Bonifácio Ltda, Frical Frigorífico Ltda, Alvorada Agroindustrial Alim. S/A, Bombonato Ind. e Com. De Alimentos Ltda-ME, BRF Brasil Foods S/A, Abatedouro Três Irmãos Ltda, Agra Agroindustrial Alim. S/A, Vale Grande Ind. Com. Alim. S/A, Carnes Boi Braco, Brasfri S/A e Guaporé Carnes S/A.
Por meio de um cruzamento de dados da origem e o destino de abate do animal, foi possível identificar os frigoríficos que utilizavam os animais criados ilegalmente em propriedades de Mato Grosso, Amazonas e Rondônia. 

Cerca de 55,699 mil animais foram comercializados nessas propriedades. Os dados são referentes ao período de janeiro a setembro de 2012.
Desde de 2009, as Procuradorias da Repúblicas dos estados da Amazônia Legal tentam entrar em acordo para evitar que os frigoríficos comercializem e abatam animais oriundos de áreas embargadas, terras indígenas e trabalho escravo.

Cerca de 100 empresas já aderiram ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Nas últimas semanas, o JBS, o maior frigorífico do mundo, e os frigoríficos Siqueira e Holanda Ltda-ME (RO), São José do Matrinchâ Ltda-ME (MT) aderiram o acordo proposto pelo MPF para buscar a regularização socioambiental de suas atividades.

As redes de fast food como a Bob’s, Burger King, China In Box, Giraffa’s, Habbib’s, Mac Donald’s, Pizza Hut, Spoletto e Subway serão comunicadas, nesta semana, sobre a ação contra os 26 frigoríficos e a recomendação de adotarem medidas de prevenção e controle da origem dos produtos que comercializam.

Da mesma forma, as grandes redes de supermercados também serão comunicadas pelo Ministério Público Federal.

De acordo com as informações do procurador da República no Estado do Amazonas, Leonardo Macedo, as ações têm como objetivo de proteger o meio ambiente, proteger o consumido, além, de garantir a tutela da ordem econômica. “Aquele produtor que mantém o trabalhador sob condições análogas a escravidão, faz o desmatamento, não pode igualar em condições de mercado daquele pecuarista que respeita as leis”, explicou.

Abate ilegal
A pedido do próprio setor de frigorífico, o MPF de Mato Grosso iniciou as investigações para combater o abate ilegal de animais, colocando um basta na concorrência desleal.

“Não queremos, com as 26 ações, nos afastar do setor, queremos o diálogo e o compromisso socioambiental de que não comprem animais de áreas embargadas, terras indígenas e fazendas que estão na lista do trabalho escravo do Ministério do Trabalho”, argumentou o procurador da República, Rodrigo Costa e Silva.

http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=156248


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »