06/08/2008 às 10h13min - Atualizada em 06/08/2008 às 10h13min

A importância do controle da brucelose bovina

Francisco Aloísio Cavalcante
Embrapa Acre e-mail do autor: aloisio@cpafac.embrapa.br

A brucelose bovina é uma zoonose (doença que é transmitida dos animais para os humanos) que provoca aborto nas vacas em torno de 6-7 meses de gestação e inflamação dos testículos nos machos. Esta doença é ocasionada por uma bactéria denominada Brucella abortus e pode ser transmitida para o ser humano, principalmente pela ingestão de leite in natura, carne mal cozida e também pelo contato com esterco e sangue dos animais. 

O mais agravante é que esta bactéria penetra pela pele sem qualquer lesão aparente. Nos locais onde há animais contaminados pela bactéria Brucella abortus, o consumo do leite in natura é um risco à saúde humana. Para conhecer o risco presente, é necessário obter informações a partir de diagnósticos precisos sobre a incidência da brucelose nos animais em fase de produção de leite no Estado. 

No que se refere ao consumo de carne bovina, é extremamente baixo o risco de se contrair a brucelose, pois normalmente as brucelas não são encontradas nos músculos dos animais e morrem quando submetidas a temperaturas acima de 63°C. Mesmo assim, é importante que a população evite o consumo de vísceras de bovinos mal passadas. Os prejuízos resultantes desta doença para a pecuária bovina são significantes, pois a Organização Internacional de Epizootias (OIE) calculou perdas anuais de US$ 32 milhões no Brasil, considerando somente os abortos e a queda da produção de leite, refletindo também no decréscimo de produção de carne em torno de 10% a 15%. 

Além destas perdas diretas, há reflexos indiretos no alongamento dos parâmetros zootécnicos reprodutivos, como o intervalo de partos de 12 para 20 meses, aumentando, conseqüentemente, o período de serviço de 90 para 330 dias. É importante que a população saiba destes fatores de riscos e que os pecuaristas participem do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), já implantado no Acre, pelo Instituto de Defesa Agropecuária (Idaf). Quando uma determinada doença ocorre em um rebanho e não se conhece a sua epidemiologia, é fundamental que inicialmente ações de vacinações sejam realizadas maciçamente nos rebanhos e, em outra etapa, seja trabalhado o processo de erradicação da doença. 

Para o início desse processo, é importante que a vacinação do rebanho seja obrigatória e aplicada somente sob o controle de médicos veterinários. Erros no processo de vacinação contribuem para aumentar a contaminação do rebanho e do pessoal que trabalha no dia-a-dia no processo de vacinação dos animais. Ações como vacinar os animais sem proteção individual, vacinar reprodutores, vacas gestantes, vacas vazias, bezerros e bezerras de qualquer idade, novilhas, eqüinos, suínos e até caninos não devem ser realizadas. 

O correto é vacinar somente fêmeas na idade de 3 a 8 meses, nunca após os 8 meses. Pela patogenicidade da vacina para o ser humano e a falta de padrões de aplicação da vacina nos rebanhos brasileiros, pesquisadores que fazem parte do Comitê Consultivo do Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) preconizaram que a vacinação de brucelose só deverá ser aplicada por médicos veterinários ou sob a orientação destes. 

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