12/04/2017 às 09h59min - Atualizada em 12/04/2017 às 09h59min

Projeto investe no fortalecimento da produção leiteira no Acre, destaca Embrapa

Desenvolvido pela Embrapa, o projeto TecLeite tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva do leite no Acre, por meio da transferência de tecnologias em Unidades de Referência Tecnológica (URTs). Na semana passada (28), pesquisadores e técnicos que compõem a equipe do projeto realizaram, um balanço das atividades desenvolvidas no primeiro ano de execução.  Um dos resultados apontados é a conclusão de diagnóstico socioeconômico e tecnológico em propriedades leiteiras de Feijó. O documento fornece subsídios para o trabalho realizado com a participação dos produtores rurais.

O objetivo do TecLeite é fortalecer a pecuária leiteira no Acre e melhorar a renda das famílias rurais. Implantadas em propriedade rurais que já trabalham com este segmento, as URTs vão reunir um conjunto de tecnologias de fácil adoção e baixo custo, com foco na melhoria do padrão genético dos rebanhos, manejo animal, qualidade das pastagens e dieta animal.

Segundo o médico veterinário Bruno Pena, técnico da Embrapa Acre e líder do projeto, os produtores são capacitados para uso adequado das tecnologias e orientados na condução das URTs. “Essas estruturas vão funcionar como uma espécie de escola para produtores e profissionais ligados ao segmento pecuário e podem contribuir para facilitar o acesso a conhecimentos técnicos necessários para uma pecuária leiteira mais sustentável”, explica.

As ações são realizadas em parceria com agricultores familiares dos municípios de Feijó, Brasileia e Plácido de Castro e pesquisadores da Embrapa Rondônia (Porto Velho) e contam com o apoio da Cooperativa de Produtores de Leite do Alto Acre (Coplac), Cooperativa de Laticínios (Coopel) e Fábrica de Latícios Nutril.

Cenário
De acordo com dados do Ibge, no Acre a produção anual de leite é de 600 litros/vaca, produtividade bem inferior à média nacional de 1.400 litros/vaca/ano. Estudos realizados pela Embrapa demonstram que entre as principais limitações deste segmento produtivo no Estado estão a baixa aptidão leiteira das matrizes e a deficiência nutricional da dieta bovina devido à baixa qualidade da forragem ocasionada, principalmente, pela degradação das pastagens.

Dados do diagnóstico socieconômico e tecnológico realizado com produtores rurais de Feijó, beneficiados pelo projeto TecLeite, concluído em 2016, confirmam que além da pouca adoção de tecnologias na composição dos rebanhos e formação das pastagens, aspectos econômicos, estruturais e culturais influenciam o desempenho dos sistemas locais de produção de leite.

“Muitas comunidades rurais ainda não contam com rede de energia elétrica estável, fator que dificulta o uso de tanque de resfriamento e ordenhadeira mecânica. Além disso, as grandes distâncias em relação ao centro urbano, as condições precárias de acesso a estas localidades e a necessidade de acompanhamento técnico efetivo também são determinantes desse cenário de insuficiência tecnológica no campo”, diz o economista Márcio Bayma, analista da Embrapa Acre e responsável pela condução do estudo.
Prioridades

O processo de implantação das URTs iniciou com a reforma da pastagem degradada, com uso de forrageiras recomendadas pela Embrapa. Na sequência foram adotados o pastejo rotacionado do rebanho e técnicas de suplementação nutricional no período de seca. Em Feijó e Plácido de Castro os produtores também aprenderam técnicas de inseminação artificial. “Na unidade de Feijó, por ser uma continuidade de projeto anterior, os produtores já contam com matrizes oriundas de inseminação artificial. Embora estes animais ainda não estejam produzindo, apresentam características que indicam boa aptidão leiteira”, destaca Pena.

O projeto também inclui ações de melhoria da qualidade do leite, orientando sobre boas práticas na ordenha e métodos de controle de mastite. Entre os meses de outubro novembro e dezembro foram realizadas coletas do produto em 88 propriedades rurais. As análises são realizadas no laboratório de qualidade do leite da Embrapa Rondônia e os resultados poderão subsidiar ações para adequação de procedimentos na condução da atividade.

Agenda de trabalho
Além de investir no atendimento de demandas tecnológicas das propriedades rurais, o TecLeite capacita produtores e técnicos da extensão rural e de outras instituições de apoio à produção. A intenção é que esse público possa atuar na disseminação das tecnologias em outras comunidades rurais. Em 2016 foram realizados cursos sobre reforma de pastagens e alimentação bovina.  Para 2017, além de uma edição do curso de inseminação artificial para o público de Brasileia, serão oferecidas capacitações sobre sistema de produção de leite a pasto, boas práticas de ordenha e sanidade da glândula mamária, além de outros temas importantes para a atividade leiteira.

Este ano será concluída a etapa de implantação das Unidades de Referência tecnológica nas propriedades rurais, com adoção, pelos produtores, de cerca eletrificada, consórcio de forrageiras com leguminosas como o amendoim forrageiro, técnicas de transferência de embriões e controle zootécnico do rebanho entre outras tecnologias.  Também será iniciada a fase de avaliação da eficiência econômica das URTs, implantação de um modelo de gestão financeira da atividade leiteira nas propriedades, avaliação da eficiência genética dos rebanhos, monitoramento de indicadores de qualidade higiênico-sanitária do leite. Outra meta da agenda de trabalho é a avaliação da eficiência técnica e econômica do Arranjo Produtivo Local (APL) de Tarauacá-Envira, que concentra grande número de fornecedores de leite para os laticínios do Acre.

Fonte: Embrapa Acre 

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