15/01/2017 às 09h32min - Atualizada em 15/01/2017 às 09h32min

Perspectivas 2017

Marco Antônio Cruvinel de Lemos Couto

Agora chegou o momento de tirar a bola de cristal do armário para tentarmos ver o que poderá acontecer com o mercado da cadeia láctea no Brasil em 2017.

Uma cadeia volátil e que resulta não somente de um fator, mas de vários fatores, que na maioria das vezes não depende somente dos produtores de leite, de queijos e outros derivados. Sempre devemos considerar a lei de oferta e procura, o que em grande parte pode determinar o que acontece com o segmento.

Se a produção de leite for alta, pode haver muita oferta no mercado, abaixando o preço do leite e dos seus derivados. Se for o contrário, a oferta for baixa, o preço dos produtos podem aumentar. Mas temos outras variáveis, como estoque mundial. Se ele estiver alto, o governo, de repente, pode abrir importação exagerada, entupindo os estoques, de forma que mesmo com baixa produção interna, o preço do leite e derivados tende a cair. E se mesmo com produção interna baixa, o poder de compra do consumidor diminuir mais ainda?

Por isto temos muitas variáveis a serem analisadas, onde, a mudança de uma delas cai por terra toda nossa previsão. Tentaremos usar de nossa experiência para descobrir o que é o mais provável de acontecer.

A produção nacional de leite está baixa e deve continuar assim. Com isto, a produção de derivados deve continuar estável. Temos um cenário da economia ainda em turbulência política e instabilidade financeira, mas há previsões de que o PIB crescerá pelo menos 1%, os juros bancários e a inflação estão abaixando, a taxa Selic tende a abaixar, o endividamento da população também diminuindo, pois estamos comprando mais à vista. O custo da alimentação animal, o milho em especial deve ficar baixo, pois temos previsões de recorde na produção de grãos.

Com estas situações o menor movimento de crescimento do consumo pode beneficiar a baixa oferta que estamos prevendo. Assim, o preço do leite pode ficar conveniente para o produtor e o preço dos derivados deve acompanhar.

Três fatores, entretanto, podem atrapalhar as previsões de melhora para o setor:

1. A indústria de leite longa vida não exagerar em seus preços, nem na compra nem na venda, como aconteceu em 2016, inflacionando todo o mercado, e até quebrando muitas queijarias, uma vez que não conseguiam acompanhar os preços ou faltando leite para movimentar a indústria.
2. Que o governo seja um pouco mais profissional e mostre que está entendendo melhor a logística da cadeia láctea, e não deixe entrar leite em pó em grandes volumes, o que pode derrubar todas as previsões acima descritas.
3. Esperar que o grande varejo, os hipermercados e as grandes redes, ao comprar por R$10,00 um produto, não coloquem para vender por R$ 20,00 ou R$ 25,00, pressionando o preço do produto na fábrica, e levando sozinho todo o lucro. 50% para o varejo, 25% para indústria e 25% para o produtor, e como os dois últimos não são organizados e muito menos unidos, ficam brigando entre si, deixando de lado os verdadeiros vilões que são as grandes redes.

Ficamos na expectativa que nossos desejos e previsões estejam corretos... Assim ganhará o produtor, a indústria e também o consumidor, que poderá levar para sua mesa mais produtos lácteos e com eles uma melhor qualidade de vida e mais saúde para sua família.

Marco Antônio Cruvinel de Lemos Couto - Equipe técnica do Site Ciência do Leite

 

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