30/06/2016 às 09h37min - Atualizada em 30/06/2016 às 09h37min

A Cadeia Láctea em turbulência... Uma velha realidade que se perpetua!

Marco Antônio Cruvinel de Lemos Couto

A julgar pelo título, a princípio, nos parece uma matéria antiga, um tema que insiste em estar presente em nossas conversas... Mas isso acontece porque sempre estivemos em turbulência. Estamos passando por uma conjuntura de problemas sérios que se torna relevante e oportuno relatarmos o que está acontecendo com a cadeia láctea.

Valor pago pelo litro do leite nunca esteve tão bom, mas a alimentação, a ração e o milho também nunca estiveram tão altos. Era o momento do produtor, base da pirâmide, ter lucro real, como se fosse acumulo de gordura para os meses de baixa, mas alguns até estão desistindo de sua produção.

O valor do derivado lácteo até que não está ruim, mas os baixos volumes de produção, os altos custo fixos aliados às exigências sanitárias, estão fazendo com que a indústria também não acumule gordura para os piores períodos, como é a chegada próxima do verão. A única indústria que está ganhando é a do segmento Longa Vida. Compram o leite por R$ 1,50 e vendem por R$ 3,00. Ainda tem o governo protegendo, liberando o uso de leite em pó na reconstituição, podendo trazer mais prejuízo à base da pirâmide, com essa importação.

O consumidor sem poder de compra por causa da crise nacional, paga um preço exorbitante pelo leite longa vida e pelos derivados lácteos. E paga também um alto preço pela desorganização do setor. Os únicos da cadeia que sempre irão ganhar, independente do que estará acontecendo, serão os mercados que vendem ou revendem os derivados lácteos. Estes estão blindados. Para se ter uma idéia resumida do quadro, levando em conta a muçarela, que é o queijo mais vendido do Brasil: o produtor vende 10 litros de leite por R$ 15,00; o laticínio faz a muçarela e vende de R$20,00 a 23,00; o supermercado vende a mesma muçarela por R$ 40,00. Vejam o disparate.

No Globo Rural  do dia 07 de agosto passado, assistimos uma reportagem linda de queijo Grana Padano, produzido em Santa Catarina. Queijos de alta qualidade, feitos de modo milenar, produzidos em tanques de cobre, com prensas feitas com madeira e curados em tabuas de madeira, que deixam os queijos inigualáveis em cor, aroma, textura e sabor. Um queijo de alto valor agregado. Mas se um médio ou pequeno laticínio utilizar a mesma tecnologia, ele é fechado, multado e o dono deve ser preso por tal atitude.

Parece que o Brasil e as autoridades que regulamentam o setor lácteo, estão interessados somente para a sobrevivência das grandes empresas, sem reconhecer que a maioria dos empregos são gerados pelas pequenas e médias indústrias.

Queremos apenas constatar que toda esta turbulência é gerada pelas injustiças e disparidades do mercado, onde os legisladores e fiscais do setor, com suas atitudes, não entendem realmente as dificuldades da cadeia láctea como um todo, realmente parece que são pessoas despreparadas e incapazes de resolver este sobe e desce do mercado que se perpetua a cada ano.

O Site Ciência do Leite está a 16 anos descrevendo sempre as mesmas mazelas, e perguntamos... Até quando vamos relatar os mesmos problemas? Até quando estaremos contando e velha e injusta realidade? Talvez quando as pequenas, médias indústrias e produtores rurais acordarem, abrirem seus olhos e se unirem para darem um basta final nisto tudo. Sãos os nossos mais sinceros desejos!

Saudações laticinistas!
Marco Antônio Cruvinel de Lemos Couto

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